O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta segunda-feira a formação de uma comissão de quatro membros, com a participação de um representante israelense e um turco, para investigar o ataque israelense a uma frota que levava ajuda humanitária a Gaza em 31 de maio. Na ocasião, morreram nove passageiros turcos.
O chefe da ONU disse que o grupo de especialistas, presidido pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia, Geoffrey Palmer, secundado pelo atual presidente colombiano Alvaro Uribe - que conclui seu mandato em 7 de agosto -, iniciará suas tarefas no dia 10 de agosto. A entrega de um primeiro informe está prevista para meados de setembro.
Ban Ki-moon, que agradeceu a Israel e Turquia por "seu espírito de compromisso e cooperação", explicou que a comissão vai elaborar recomendações que permitam "prevenir incidentes similares no futuro." As identidades dos integrantes israelense e turco não foram reveladas.
A decisão de Israel de apoiar a comissão foi inesperada. Durante semanas, o país havia insistido em não cooperar com uma investigação internacional, preferindo fazer uma investigação interna.
"Israel nada tem a esconder", disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. "É de interesse nacional do Estado de Israel assegurar que a verdade dos fatos sobre o incidente com a flotilha saia à luz em todo o mundo e este é exatamente o princípio que estamos promovendo", acrescentou.
A Turquia, por sua vez, recebeu com aprovação tanto a investigação da ONU. "Desde o começo, a Turquia exige uma comissão internacional patrocinada pela ONU para investigar a incursão. (...) Por iniciativa da Turquia na ONU, nos Estados Unidos e na Europa, Israel acabou aceitando cooperar com a comissão", declarou uma fonte do governo de Ancara à AFP.
"Trata-se de decisão muito importante para a Turquia", destacou. "Esta comissão representa um passo significativo para a reparação da injustiça sofrida pela Turquia nesse ataque", acrescentou a fonte.
O ataque
Uma flotilha internacional de ajuda humanitária que tentava romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza foi atacada no dia 31 de maio por comandos israelenses, deixando nove cidadãos turcos mortos. O incidente motivou uma profunda crise nas relações entre Israel e Turquia, que eram bons aliados.
Ancara exigiu desculpas de Israel, assim como a indenização a famílias das vítimas e o levantamento do bloqueio contra a Faixa de Gaza. Por sua vez, Israel disse que os membros do comando agiram depois de terem sido agredidos.
ONU anuncia comissão para investigar ataque a flotilha de ajuda a Gaza
Equipe será formada por quatro especilistas, com a participação de um representante israelense e um turco