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ONU diz estar preparada para ajudar rebeldes

Ban Ki-moon convocará reunião sobre a Líbia nesta semana

Carro foi incendiado em frente da Academia Militar de Trípoli
Carro foi incendiado em frente da Academia Militar de Trípoli Foto : Filippo Monteforte / AFP / CP
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse nesta segunda-feira que o órgão está preparado para dar assistência aos rebeldes na Líbia, com a iminência da queda do ditador líbio, Muammar Kadhafi, e de uma mudança de regime no país. Ele também afirmou que é preciso garantir a entrega de ajuda humanitária à população líbia, e pediu às forças leais a Kadhafi que abandonem "imediatamente" as armas e abram caminho para uma transição sem contratempos. "É crucial agora que o conflito termine sem mais perdas de vidas humanas. Chegou a hora de todos os líbios se centrarem na união nacional, na reconciliação e em uma transição sem exclusões."

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O embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Dabashi, disse que a maioria das pessoas que lutam a favor de Kadhafi hoje na Líbia faz isso apenas em nome da própria segurança – e não por acreditarem no regime do ditador. Segundo ele, assim que Kadhafi for capturado – ou eventualmente morto – as lutas acabarão.

O secretário-geral da ONU engrossa, assim, as fileiras de lideranças mundiais que já manifestaram apoio aos rebeldes e já pediram que Kadhafi – há mais de 41 anos no poder – deixe o cargo. A Coreia do Sul, por exemplo, anunciou uma ajuda de ao menos R$ 1,6 milhão (US$ 1 milhão) para o Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, para apoiar as tentativas de derrubar Kadhafi. O governo sul-coreano ainda deve confirmar com os rebeldes líbios se é necessária ajuda adicional.

Na Itália – que já foi um aliado tradicional da Líbia –, o premiê, Silvio Berlusconi, pediu que Kadhafi desista de sua “resistência inútil” e a China – também um aliado líbio, devido à necessidade que tem das reservas de petróleo do país norte-africano – já se manifestou, dizendo que respeitará a vontade da população líbia.

Ban Ki-moon convocará reunião

Ban Ki-moon anunciou nesta segunda-feira que convocará uma reunião para esta semana sobre a situação na Líbia, na presença de dirigentes da União Africana, da Liga Árabe e de outras organizações regionais. "Estamos em um momento cheio de esperança, mas existem riscos em vista", declarou Ban, sobre a ajuda da ONU na transição política da Líbia no momento em que a capital Trípoli era tomada pelos rebeldes.

O chefe da ONU confirmou à imprensa que a reunião será realizada na quinta ou na sexta-feira em Nova Iorque e terá a participação dos dirigentes da União Europeia e da Conferência Islâmica. A França, um dos primeiros países a apoiar a insurreição líbia contra o regime do coronel Kadhafi, propôs nesta segunda-feira receber na semana que vem, em Paris, uma reunião do Grupo de Contato sobre a situação da Líbia para definir um plano de ajuda às novas autoridades.

"A comunidade internacional continuará com o seu papel para proteger os civis", declarou o chefe das Nações Unidas, que autorizou em março a utilização da força contra o regime de Muamar Kadhafi para a proteção da população líbia. "As Nações Unidas estão prontas para ajudar em todas as áreas que necessitem", principalmente na segurança, no estado de direito, na reconstrução econômica, na elaboração de uma nova Constituição e na organização de eleições, disse Ban Ki-moon.

Rebeldes tomam Trípoli

Os rebeldes líbios já controlam 95% de Trípoli, segundo o representante do CNT no Reino Unido, Mahmoud Nacua. A resistência ao avanço foi pequena: desde sábado, as forças opositoras vinham abrindo caminho rumo à capítal, que ganhou força no domingo. Em pouco tempo, tomaram o controle das regiões leste, sul e oeste da capital. O confronto em diversas áreas da cidade deixou centenas de mortos.

Diversos bairros da cidade ainda registravam confrontos armados. O presidente do CNT afirmou que os partidários devem agir dentro da lei e manifestou preocupação quanto a ocorrências de atos como saques e outros crimes em nome das forças de resistência a Kadhafi.

Filhos do ditador são presos

O Tribunal Penal Internacional (TPI) negocia com o CNT a extradição de Saif al Islam, filho e porta-voz do ditador do país, Muammar Kadhafi. Pesa sobre Saif uma ordem de prisão por crimes contra a humanidade, informou nesta segunda-feira à agência de notícias Efe a secretaria da corte. No entanto, o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, afirmou que Saif não será entregue ao TPI de Haia: ele será julgado na Líbia.

O TPI também ordenou uma ordem de prisão para o líder líbio, Muammar Kadhafi, e de seu cunhado, o chefe da inteligência do regime, Abdullah al Senussi, por supostos crimes contra a humanidade. O Tribunal tem competência para julgar na Líbia devido à resolução do Conselho de Segurança da ONU de 26 de fevereiro.








R7 Notícias

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