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ONU diz que 10% da capital do Haiti está destruída

Cerca de 300 mil pessoas estão desabrigadas após o terremoto da última terça

ONU diz que 10% da capital do Haiti está destruída
ONU diz que 10% da capital do Haiti está destruída Foto : AFP
Cerca de 300 mil pessoas estão desabrigadas após o terremoto da última terça no Haiti, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira em Genebra. Segundo o porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Elisabeth Byrs, 10% dos imóveis da capital do país, Porto Príncipe estão destruídas.

Algumas áreas teriam sofrido até 50% de destruição, com muitas casas e prédios desabados. Quase de 3,5 milhões de pessoas moravam nas zonas afetadas pelo tremor. No entanto, o OCHA não quis informar um balanço de vítimas e aguarda informações da Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti (Minustah). De acordo com a Cruz Vermelha, o terremoto teria provocado entre 40 mil e 50 mil mortes.

A ONU informou ainda que recebeu promessas de ajuda para o Haiti no total de US$ 268,5 milhões.
Nesta sexta, a entidade fará um pedido urgente de auxílio, segundo Elizabeth Byrs.

Equipes de resgate chegam ao Hati

Várias equipes de resgate estão chegando ao Haiti, mas elas enfrentam um cenário de insegurança, obrigando que o trabalho seja paralisado durante a noite por causa da falta de armas ou de guardas.

"Nosso maior problema é a insegurança. Ontem (quinta-feira) eles tentaram roubar alguns de nossos caminhões. Hoje (sexta-feira), nós mal pudemos trabalhar em alguns lugares por causa disso", disse Delfin Antonio Rodríguez, chefe da Defesa Civil e comandante de resgates da vizinha República Dominicana. "Há saques e pessoas com armas por aí, porque esse país é muito pobre e as pessoas estão desesperadas."

Cadáveres são usados para protestar

Ao mesmo tempo, os haitianos enfrentam uma situação de desespero por causa da demora na chegada do auxílio. Vítimas do terremoto chegaram a fazer um protesto contra esses atrasos, usando cadáveres para bloquear ruas da capital. Equipes de resgate de República Dominicana, Venezuela, Estados Unidos, França e Bolívia estão entre as primeiras a chegar para ajudar os haitianos. A estimativa é de que dezenas de milhares de pessoas tenham ficado sob os escombros em Porto Príncipe.

Rodríguez lembrou que outro grande problema é a falta de hospitais em funcionamento, já que vários foram destruídos. De acordo com ele, será necessário montar um grande hospital de campanha para atender os vários feridos, mas que no momento era impossível construir um. "Nós podemos fazer isso durante a noite e pela manhã ele já terá sumido", disse ele, temendo os saques.

O cenário de insegurança é tal que equipes estavam abandonando o trabalho conforme o sol se punha, mesmo que estivessem no meio de alguma operação de resgate. Em 24 horas, a equipe dominicana resgatou 17 sobreviventes e dezenas de corpos do prédio do Parlamento. Entre os mortos havia 20 senadores haitianos. As informações são da Dow Jones.