O Conselho de Segurança da ONU rejeitou nesta quinta-feira dois projetos de resolução opostos - um americano e outro russo - para estender a investigação sobre o uso de armas químicas na Síria. A Rússia vetou primeiro a proposta de Washington que buscava prorrogar a investigação para determinar os responsáveis pelos ataques químicos, e em seguida o projeto de Moscou fracassou ao obter apenas quatro votos a favor, sete contra e quatro abstenções.
Trata-se da décima vez que Moscou utiliza seu poder de veto para bloquear medidas do Conselho de Segurança contra seu aliado em Damasco. Diante do impasse, o Japão pediu ao Conselho de Segurança que amplie por mais 30 dias a investigação sobre os ataques químicos na Síria, para dar mais tempo a um acordo que permita ampliar o trabalho dos investigadores.
A solicitação, que deve ser votada nesta sexta-feira, prevê que o secretário-geral da ONU, António Guterres, apresente em 20 dias ao Conselho "propostas sobre a estrutura e a metodologia" do painel de especialistas no terreno. O mandato do grupo de especialistas da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), chamado JIM, vence nesta sexta-feira às 05H00 GMT (03H00 horário de Brasília).
O texto russo pedia a revisão da missão do JIM - composto por especialistas das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) - e o congelamento de seu último relatório, que envolve o governo de Bashar al-Assad em um ataque a civis com gás sarin. Washington era contra essa proposta e pede sanções aos responsáveis por usar armas químicas na Síria.
A proposta americana recebeu onze votos a favor, dois contra (Rússia e Bolívia) e duas abstenções (China e Egito). O voto negativo de Moscou, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, equivale a um veto. "A Rússia matou o mecanismo investigador que conta com um esmagador apoio deste Conselho", afirmou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley. "A mensagem é clara: a Rússia aceita o uso de armas químicas na Síria", disse.
O representante britânico, Matthew Rycroft, ressaltou que a "Rússia fracassou em promover a paz na Síria" ao se negar a ser "construtivo" no debate dos textos. Seu colega francês, Francois Delattre foi mais metafórico: "Nós soltamos um monstro", alertou.
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