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ONU preocupada com escassez na Venezuela

Comitê alertou para aumento da dependência à importação de alimentos

O Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU manifestou preocupação com o "grave desabastecimento e escassez de alimentos de primeira necessidade" na Venezuela e fez um apelo para a adoção de "medidas urgentes", em um relatório muito crítico publicado nesta terça-feira.

O comitê, composto por 18 especialistas independentes, alertou para um "aumento da dependência à importação de alimentos, o que gerou em parte" o desabastecimento. O organismo pediu à Venezuela uma "avaliação dos resultados do processo de reforma agrária, que resulte em um redesenho de sua estratégia nacional para a realização do direito à alimentação".

Os especialistas, escolhidos pelo voto dos países que ratificaram o Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - um dos pilares da ONU -, solicitaram "o aumento dos investimentos na produção agrícola local, melhorando a produtividade dos pequenos produtores agrícolas e seu acesso aos mercados locais".

A Venezuela sofre desde o fim de 2012 com a falta de divisas, o que provoca o acúmulo de dívidas comerciais em bilhões de dólares com fornecedores e empresas multinacionais. A situação provocou uma grave crise de abastecimento em setores básicos e muito dependentes das importações, como a alimentação e os medicamentos.

A ONU recomenda que a Venezuela "destine recursos" para enfrentar a escassez, com o objetivo de garantir a "disponibilidade e qualidade dos serviços de saúde". O comitê expressa preocupação com "a deterioração de alguns hospitais" e com carência nos serviços de saúde sexual reprodutiva, assim como o elevado número de abortos inseguros.

Também alerta para o "persistente déficit de moradia" e afirma que o salário mínimo estabelecido "não é suficiente para cobrir um nível de vida digno", apelando ao governo para que negocie com os empresários e sindicatos de forma "transparente".