A Organização das Nações Unidas (ONU) indicou nesta quinta-feira que espera poder entregar a ajuda a todas as localidades sírias sitiadas dentro de uma semana. A medida foi anunciada após uma segunda reunião com a Força de Intervenção Humanitária na Síria realizada em Genebra.
O principal conselheiro do emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, declarou à imprensa que nas últimas 24 horas 114 caminhões entregaram ajuda a 80 mil pessoas nas cinco zonas sitiadas. A próxima etapa, acrescentou, "é chegar as demais, algo que deveremos conseguir antes da próxima reunião em uma semana".
O primeiro comboio de ajuda humanitária do Crescente Vermelho conseguiu entrar, nessa quarta-feira, na localidade sitiada de Muadamiyat al-Sham, perto de Damasco, na primeira operação de assistência humanitária na Síria depois dos compromissos pactuados pelas grandes potências, em Munique, na semana passada. "O comboio começou a entrar em Muadamiyat al-Sham. Tratam-se de 35 caminhões que transportam 8,8 mil sacos de farinha, 4,4 mil de rações de comida, além de alimentos energéticos, medicamentos e equipamentos obstétricos", afirmou Muhanad al-Asadi, delegado do Crescente Vermelho.
Na Síria, quase meio milhão de pessoas se encontram em regiões sitiadas e 4,6 milhões em áreas de difícil acesso, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). O coordenador humanitário da ONU na Síria, Yacub el Hillo, disse que, com esta ajuda, a organização espera chegar até aproximadamente 93 mil pessoas. Cerca de 30 mil delas em Muhanad al-Asadi, 42 mil em Madaya, próximo a Damasco, mil em Zabadani e 20 mil Fua e Kefraya.
El Hillo falou à imprensa que acompanhava um caminhão em direção a Madaya, a cidade sitiada perto de Damasco, em que foram reportados casos de desnutrição grave e de mortes por fome. "Esperamos que este enorme trabalho continue (...) mas é preciso resolver a raiz do problema e levantar todos os cercos contra regiões onde estejam civis que sofrem, seja em Deir Ezzor, Fua, Madaya e Ghuta oriental", estimou. Staffan de Mistura havia anunciado em Damasco, na terça-feira, o envio destes caminhões, afirmando que o governo tem o dever de permitir à ONU a entrega de ajuda às populações civis.
Destruída por quase cinco anos de conflito, a Síria enfrenta uma crise humanitária de uma gravidade extrema, com mais da metade de seus 23 milhões de habitantes deslocados. Nessa quarta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, estimou que a situação humanitária é "insuportável" e insistiu em sua proposta de criar uma zona de exclusão aérea para proteger os civis.
ONU vai ajudar cidades sitiadas da Síria
Caminhões entregaram auxílio a 80 mil pessoas