A polícia belga lançou, nesta quinta-feira, uma operação antiterrorista em Verviers (leste da Bélgica), que teria deixado ao menos dois mortos, segundo a imprensa belga.
"Há uma operação em curso" em Verviers, no leste da Bélgica, disseram várias fontes do governo à AFP. De acordo com uma delas, "a operação está vinculada ao jihadismo".
A operação foi realizada em uma antiga padaria pela polícia antiterrorista. Segundo o jornal "De Standaard", um grupo jihadista se preparava para cometer um ataque.
Três jovens que partiram para combater na Síria e que retornaram à Bélgica há uma semana tiveram seus telefones grampeados pela polícia, que decidiu agir rapidamente. As escutas indicavam que eles se preparavam para cometer atos terroristas, segundo o canal de televisão belga RTBF.
Outras operações estariam em curso também em Bruxelas. A prefeita de Molenbeek-Saint-Jean, Françoise Schepmans, informou que buscas estavam sendo realizadas na região, que possui uma grande
comunidade de imigrantes.
Em Verviers, vários tiros e explosões foram ouvidos no centro da cidade por volta das 18h (15h de Brasília), no bairro da estação de trem, segundo testemunhas.
A área foi isolada e ambulâncias estavam no local. Os moradores foram instruídos pela polícia a permanecer em suas casas.
A RTL-TVI reportou três mortes, e a televisão pública RTBF, duas. Nenhum balanço foi confirmado por fontes oficiais. De acordo com a RTBF, não há agentes feridos, e a polícia fez várias detenções.
A Procuradoria Federal convocou uma entrevista coletiva para o fim da tarde para falar da operação em Verviers.
Segundo a RTL-TVI, um homem armado também teria feito ameaças e gritado "Allah akbar" no metrô de Bruxelas. A polícia estaria à sua procura.
De acordo com a prefeitura de Verviers, a situação estava sob controle no início da noite.
O jornal "De Tijd" afirma se tratar de uma vasta operação antiterrorista contra combatentes que retornaram da Síria e que deve se estender para várias partes do país.
'Explosão seguida de tiros' "Eu vi um carro da polícia passar por todos os sinais vermelhos e ouvi três grandes detonações seguidas de tiros", relatou uma testemunha.
"Um homem todo vestido de azul escuro com capuz nos empurrou para trás. Nós começamos a correr, e ouvimos uma grande explosão e tiros", contou uma mulher à RTL-TVI.
Outro morador relatou ter ouvido o disparo de tiros "por dez minutos".
Verviers é considerada, assim como alguns subúrbios de Bruxelas, um dos redutos da radicalização islâmica no país.
Segundo fontes, entre seis e dez jovens da cidade teriam partido para se juntar a grupos extremistas na Síria nos últimos meses.
Além disso, ameaças foram proferidas por jihadistas belgas nas últimas horas na Internet.
Enquanto isso, a Justiça belga procura determinar se existem ligações entre Amedy Coulibaly, um dos três autores dos atentados de Paris, e um suposto traficante de armas domiciliado na Bélgica, segundo a Procuradoria Federal belga.
"A questão das armas está sob investigação", declarou à AFP o porta-voz do Ministério Público Federal, Eric Van der Sijpt, um dia após a acusação por "tráfico de armas" de um homem de Charleroi, Neetin Karasular.
De acordo com a Procuradoria Federal encarregada das questões de terrorismo, este homem, já conhecido da Justiça, comprou o carro de Hayat Boumeddiene, a companheira de Coulibaly. Em colaboração com a
Justiça francesa, o órgão busca estabelecer se existe uma "possível conexão" adicional com os ataques em Paris.
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