O regime do presidente Bashar al-Assad parece ter optado pela solução militar para esmagar o movimento de contestação sem precedentes no país que dura seis semanas, mobilizando milhares de soldados em Deraa, 100 quilômetros ao sul de Damasco, e em outras áreas do país, segundo as mesmas fontes. No entanto, o objetivo do Exército sírio é apenas "restabelecer a calma e a segurança em resposta aos pedidos de socorro lançados pelos moradores que pediram sua intervenção para pôr fim aos atos de sabotagem e de assassinato cometidos por grupos terroristas extremistas", anunciou uma fonte militar, que informou sobre "mortos e feridos" em ambos os lados.
No primeiro sinal até o momento de uma resposta contundente à repressão na Síria, os Estados Unidos indicaram que discutem a aprovação de "sanções seletivas" contra as autoridades sírias. Na ONU, vários países europeus (França, Grã-Bretanha, Alemanha e Portugal) tentam fazer com que o Conselho de Segurança condene o massacre de centenas de manifestantes e pedem uma investigação independente, disseram diplomatas nesta segunda-feira.
Com estes já são 366 os mortos na Síria desde o início do movimento de protesto, em 15 de março, segundo um cálculo da AFP. "Os minaretes das mesquitas lançam chamados de socorro. As forças de segurança entraram nas casas. Há um toque de recolher e disparam contra quem sai de casa. Já dispararam até contra as caixas d'água sobre os telhados, para deixar as pessoas sem água", relatou.
De acordo com outro militante, que conseguiu entrar em contato com Deraa, "os franco-atiradores assumiram posições nos telhados e os tanques estão no centro da cidade". O militante indicou que há corpos "nas ruas" que as pessoas "não conseguem reconhecer", e que "a eletricidade está cortada e as comunicações telefônicas são quase impossíveis".
Segundo os ativistas, os serviços de segurança estavam intervindo também em Duma, 15 quilômetros ao norte de Damasco, e em Muadamiyeh, perto da capital.