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Oposição acusa governo sírio de ignorar ordem de cessar-fogo

Três civis teriam sido mortos e diversas pessoas feridas em novos ataques nesta quinta-feira

Basma Kodmani informa em Genebra que ordem por cessar-fogo na Síria não fui cumprido
Basma Kodmani informa em Genebra que ordem por cessar-fogo na Síria não fui cumprido Foto : Fabrice Coffrini / AFP / CP
A porta-voz do Conselho Nacional Sírio (CNS), Bassma Kodmani, anunciou em Genebra que, segundo as informações recebidas do principal grupo de oposição ao governo da Síria, três civis foram mortos e dezenas de pessoas presas, após o início do cessar-fogo na manhã desta quinta-feira.

Segundo o CNS, dois mortos foram contabilizados na região de Hama e dezenas de prisões foram efetuadas em Aleppo, Homs e Dera. "Constatamos, com provas, que armas pesadas ainda estão sendo utilizadas em áreas povoadas. Algumas simplesmente foram reposicionadas", acrescentou a porta-voz Bassma Kodmani. Ela também relatou o aparecimento de muitos pontos de controle adicionais fortemente armados.

Já a televisão pública síria anunciou que um oficial do exército foi morto e 24 pessoas ficaram feridas em Aleppo, norte da Síria, em um ataque comandado por um "grupo terrorista armado".

De acordo com a emissora, um ônibus transportava oficiais para o local de trabalho e foi alvo de uma carga explosiva colocada por um grupo de terroristas armados perto da ponte do aeroporto de Al Nairab, em Aleppo, segunda cidade do país.

Ministério sírio pede a volta de refugiados

O ministério sírio do Interior fez um pedido ao povo que fugiu da violência para que retorne ao país. "Pedimos aos cidadãos que foram obrigados a abandonar suas casas para regiões no interior do país, ou ainda para países vizinhos, que retornem à Síria", afirma um comunicado, que pediu também a população "que ignore a publicidade e as informações enganosas".

O ministério também anunciou uma anistia para todos os homens armados que “não tenham sangue nas mãos”, informou a TV pública. "O ministério do Interior apela aos homens armados que não têm sangue nas mãos que se apresentem à delegacia mais próxima para entregar suas armas. Eles serão liberados e não serão processados", diz o anúncio.

O regime sírio, que reprime a oposição, divulgou mais cedo a suspensão das operações militares, mas advertiu que suas forças responderão a qualquer ataque "terrorista", em referência aos rebeldes, que também prometeram respeitar 100% a trégua.

O plano do emissário da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, ainda é considerado pelo CNS como "a última chance para uma solução pacífica na Síria", reiterou Kodmani. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que espera pelo envio de observadores à Síria "o mais rápido possível". Por fim, o CNS convocou para esta quinta-feira novas manifestações pacíficas contra o regime. "Convocamos o povo a manifestar-se e a expressar-se porque é um direito absoluto. As manifestações são um ponto essencial do plano do emissário internacional Kofi Annan", afirmou à AFP o líder do CNS, Burhan Ghalioun. "O cessar-fogo não tem nenhum valor se não permite ao povo manifestar-se, e o plano de Annan não tem nenhum valor se não permite a transição do país para um governo democrático e pluralista", completou Ghalioun. "O início do processo de transição é o direito do povo de manifestar-se e a liberdade de imprensa", concluiu o opositor.

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