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Oposição da Venezuela faz panelaço por referendo contra Maduro

Dois manifestantes foram feridos no estado de Trujillo por grupos armados ligados ao governo

Dois manifestantes foram feridos no estado de Trujillo por grupos armados ligados ao governo
Dois manifestantes foram feridos no estado de Trujillo por grupos armados ligados ao governo Foto : Federico Parra / AFP / CP
A oposição venezuelana protestou com um "panelaço" nesta sexta-feira para exigir um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, diante de novos adiamentos no trâmite da consulta por parte do organismo eleitoral. Em Caracas, os manifestantes chegaram de cinco ponto até a avenida Libertador, liderados por dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD). Um forte esquema policial ocupou a região, sem que ocorressem incidentes.

Mas no estado de Trujillo, no oeste do país, dois manifestantes foram feridos a bala por grupos armados ligados ao governo que "passaram das provocações à violência física e depois à violência armada", disse à imprensa Jesús Torrealba, secretário-geral da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD). Embora estivesse convocado desde o início de setembro, o protesto nacional se converteu em uma nova expressão de rejeição depois que o Poder Eleitoral adiou o anúncio sobre a data em que poderão ser recolhidas as assinaturas necessárias para convocar o povo às urnas.

Torrealba declarou à AFP que o protesto é uma resposta à "ofensa" que representa o "silêncio" do CNE sobre o referendo. "O silêncio é um desrespeito com o direito do povo venezuelano de construir uma solução pacífica, eleitoral, constitucional e democrática a este drama".

Henry Ramos Allup, presidente do Parlamento de maioria opositora, proclamou o "sucesso" da jornada, destacando que não se pode comparar com o 1º de setembro, quando a MUD garantiu ter colocado um milhão de pessoas em Caracas. "Todos os eventos não podem ser deste tamanho. Diante de tudo e superando os obstáculos, as ameaças, o povo foi às ruas para se manifestar, defender seu referendo".

Ramos Allup disse que o objetivo é exigir que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) "não continue sabotando" a realização do revogatório neste ano. O dirigente denunciou que o governo ordenou bloquear os acessos a Caracas para impedir a entrada de manifestantes. Na véspera do protesto, o CNE adiou por "ameaças" o anúncio que deveria realizar nesta sexta-feira sobre a data e as condições para a coleta das quatro milhões de assinaturas (20% do total de eleitores).