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Oposição egípcia dá prazo de 24 horas para renúncia de Mursi

Exército ameaça agir se solicitações não forem atendidas

Manifestantes egípcios deixaram rastro dos protestos contra Mursi
Manifestantes egípcios deixaram rastro dos protestos contra Mursi Foto : Gianluigi Guercia / AFP / CP
A oposição egípcia deu nesta segunda-feira um prazo de 24 horas para que o presidente Mohamed Mursi renuncie, depois das gigantescas manifestações de domingo, que deixaram 16 mortos, um ano após a posse do chefe de Estado. "Damos a Mohamed Mursi o prazo de até terça-feira, 2 de julho, às 17h (12h horário de Brasília) para deixar o poder e permitir às instituições estatais preparar uma eleição presidencial antecipada", afirma um comunicado do movimento Tamarod ('Rebelião' em árabe). "Se Mursi não renunciar, terá início uma campanha de desobediência civil total", completa a nota oficial

No Cairo, a sede central da poderosa Irmandade Muçulmana, movimento de Mursi, foi incendiada. O edifício, no bairro de Moqqatam, zona leste da capital egípcia, foi invadido por manifestantes que jogaram objetos pelas janelas.
Outros manifestantes saquearam a sede, que no momento do ataque estava vazia.

Quatro ministros egípcios pediram demissão nesta segunda, segundo uma fonte do governo, que pediu anonimato. Os ministros do Turismo, Meio Ambiente, Comunicações e Assuntos Jurídicos entregaram cartas de demissão ao primeiro-ministro, Hicham Qandil, segundo a mesma fonte.

O ministro do Turismo, Hisham Zaazu, já havia manifestado o desejo de renunciar em junho após a nomeação de um governador da turística região de Luxor, Adel al-Jayyat, membro de um partido islamita ligado a um grupo radical que reivindicou em 1997 um ataque que matou 58 turistas estrangeiros. Mursi, que nomeou Jayyat em 16 de junho, havia convencido Zaazu a permanecer no cargo.

O Tamarod também pediu às Forças Armadas, à polícia e ao sistema judicial uma "posição clara ao lado da vontade popular representada" pelas gigantescas manifestações de domingo. O movimento rejeitou o pedido de diálogo feito pelo presidente Mursi. "É impossível aceitar medidas insuficientes. A única alternativa é o fim pacífico do poder da Irmandade Muçulmana e de seu representante Mohamed Mursi", diz o texto.

Forças Armadas ameaçam agir

As Forças Armadas do Egito advertiram que pretendem agir caso as exigências do povo não sejam atendidas em um prazo de 48 horas, depois que milhões de pessoas saíram às ruas neste domingo para exigir a renúncia do presidente islamita, Mohamed Mursi. Em um comunicado lido na televisão estatal, as Forças Armadas reiteraram o "pedido para que as exigências do povo sejam atendidas e dão (a todas as partes) 48 horas, como última oportunidade, para assumir a responsabilidade pelas históricas circunstâncias que o país está vivendo".

A divulgação do comunicado causou uma explosão de alegria entre os manifestantes que exigem a renúncia do presidente na Praça Tahrir, no Cairo. "Mursi não é mais nosso presidente, Sissi está conosco", gritavam os manifestantes, referindo-se ao general Abdel Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa.

Durante a transmissão da leitura da nota, uma imagem do general foi exibida em um telão na praça. Logo depois da divulgação do comunicado, o presidente americano, Barack Obama, fez um apelo a todas as partes no Egito para que tenham moderação diante das gigantescas manifestações contra Mursi, e pediu especificamente respeito às mulheres."Todas as partes devem mostrar moderação", disse Obama durante uma coletiva de imprensa na Tanzânia, lembrando "aqueles que estão participando dos protestos ou marchas que atacar mulheres não constitui um protesto pacífico".

O presidente americano, que chegou nesta segunda-feira à Tanzânia, terceira e última etapa de um giro pela África, não se pronunciou sobre as reivindicações da oposição egípcia, que pede a saída do presidente Mursi, mas apelou para que o governo egípcio redobre seus esforços para restaurar a harmonia no país. "O que está claro hoje é que, embora Mursi tenha sido eleito democraticamente, deve ser feito mais para criar as condições nas quais todos sintam que suas vozes estão sendo ouvidas no Egito", declarou Obama.

As manifestações de domingo terminaram com a morte de 16 pessoas no Egito, oito delas em confrontos entre simpatizantes e adversários do presidente islamita Mohamed Mursi no Cairo, anunciou o ministério da Saúde.
No Cairo foi registrada uma morte, de um manifestante asfixiado diante do palácio presidencial. As outras pessoas morreram nas províncias de Beni Suef, Asiut, Kafr al Sheikh e Fayum e na cidade de Alexandria.

O Tamarod, apoiado por várias personalidades e movimentos da oposição laica, liberal e de esquerda, afirma ter reunido 22 milhões de assinaturas para uma petição por eleições presidenciais antecipadas, uma quantidade muito superior aos 13,23 milhões de votos recebidos por Mursi nas eleições de junho de 2012. 

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