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Oposição prepara agenda parlamentar e enfrenta vetos de Maduro na Venezuela

Coalizão que derrubou chavistas da assembleia busca libertação de presos políticos

Coalizão que derrubou chavistas da assembleia busca libertação de presos políticos
Coalizão que derrubou chavistas da assembleia busca libertação de presos políticos Foto : Presidencia / AFP / CP
A oposição venezuelana definiu nesta sexta-feira a agenda legislativa que levará adiante, graças ao controle absoluto do futuro Parlamento, e que será dedicada à libertação dos líderes presos e às reformas econômicas. O presidente Nicolás Maduro já rejeitou a agenda, descartando uma conciliação com os adversários.

Em um hotel de Caracas, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD, centro direita) reuniu seus 112 deputados eleitos, para coordenar a agenda que será desenvolvida a partir de 5 de janeiro. É nessa data que acontece a instalação da nova Assembleia Nacional, de 167 cadeiras, eleita no domingo passado.

Com a supermaioria qualificada frente aos 55 assentos do oficialismo socialista, a MUD planeja aprovar, entre suas primeiras ações, uma lei de anistia para cerca de 80 presos políticos, entre eles o líder radical opositor Leopoldo López. Maduro já anunciou que vetará o projeto.

Em sessão na quinta-feira, a atual Assembleia Nacional, controlada pelo oficialismo chavista, nomeou Susana Barreiros como diretora da Defensoria Pública. Susana foi a juíza que condenou López a 13 anos e nove meses de prisão, sob acusação de promover a violência nos protestos contra o governo em 2014.

Organizações não governamentais criticaram a escolha para um órgão encarregado de velar pelo direito dos réus à defesa. "Essa nomeação responde a uma espécie de recompensa por ter agido de forma inconstitucional, mas sujeita aos desígnios do poder no caso de Leopoldo López", denunciou o diretor da ONG Foro Penal, Gonzalo Himiob.

"A pessoa encarregada de atender a um dos mais importantes direitos humanos, como é a defesa, foi uma violadora desse mesmo direito no julgamento de López", apontou o coordenador da ONG Una Ventana a la Libertad, Carlos Nieto, acrescentando que a juíza impediu que os advogados da defesa apresentassem provas. Depois da condenação, a jurista manteve um baixo perfil e ainda não comentou as críticas deflagradas por sua nomeação ao novo cargo. "A Assembleia está blindada pela Constituição, vai defender o povo com uma agenda social, econômica e política. Podemos aprovar em nossa primeira sessão a lei de anistia e trabalhar em função do novo modelo econômico. O senhor Maduro que continue brigando sozinho", declarou à imprensa o deputado opositor reeleito Tomás Guanipa, no hotel onde a MUD estava reunida.

Antes de entregar o controle do Parlamento, os deputados governistas preveem nomear 12 magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), órgão foco de conflito, já que, segundo a oposição, os candidatos são ligados ao chavismo. Em entrevista coletiva, o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, afirmou que a "moribunda Assembleia" nada poderá fazer contra "a vontade de mudança expressa nas urnas".