Oposição trabalhista rompe negociações sobre o Brexit com o governo britânico
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Oposição trabalhista rompe negociações sobre o Brexit com o governo britânico

Jeremy Corbyn disse que discussões "chegaram o mais longe possível" devido à "crescente fraqueza e instabilidade" do Executivo

Por
AFP

Líder da oposição trabalhista britânica, Jeremy Corbyn, anunciou a ruptura das negociações com o governo da conservadora Theresa May

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O líder da oposição trabalhista britânica, Jeremy Corbyn, anunciou nesta sexta-feira (17) a ruptura das negociações com o governo da conservadora Theresa May, iniciadas em abril para buscar uma saída ao impasse do Brexit. As discussões "chegaram o mais longe possível" devido à "crescente fraqueza e instabilidade" do Executivo, escreveu Corbyn em uma carta a May.

Corbyn escreve que à medida que o Partido Conservador caminha para a escolha de um novo líder, "a posição do governo tornou-se cada vez mais instável e sua autoridade foi corroída", minando a "confiança" na "capacidade do Executivo de chegar a um compromisso". "Frequentemente, as propostas de sua equipe de negociação foram publicamente contraditas por declarações de outros membros do gabinete", reclama.

Na quinta-feira o próprio partido de May solicitou que ela se preparasse para renunciar a partir de junho. O ex-ministro britânico das Relações Exteriores Boris Johnson, um fervoroso defensor do Brexit, confirmou nesta quinta-feira (16) que será candidato ao posto de primeiro-ministro, quando May deixar a função. "É claro que vou fazer isso", afirmou Johnson durante um evento que reunia lideranças do mundo empresarial em Manchester, noroeste da Inglaterra, confirmando algo que a maioria de seus colegas conservadores e dos analistas políticos dava como certa.

May prometeu renunciar depois que o acordo do Brexit concluído com Bruxelas em novembro tiver sido adotado pelos deputados britânicos. Não estabeleceu uma data. Esta semana, ela anunciou que apresentará, no início de junho, um projeto de lei sobre termos do acordo do Brexit, e não sobre o texto em si mesmo.

As versões de May já foram rejeitadas três vezes no Legislativo. Se o texto não for aprovado, May pode se ver forçada a deixar cargo. Theresa May chegou ao comando do governo britânico após o referendo de 2016 sobre o Brexit e a renúncia de seu antecessor David Cameron. Na época, o eurocético Boris Johnson, que durante um tempo esteve na disputa, acabou desistindo.