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Oposição venezuelana pressiona poder eleitoral por referendo revogatório de Maduro

Presidente requisitou que sigla oposicionista MUD seja declarada ilegal por envolvimento em fraude eleitoral

Presidente requisitou que sigla oposicionista MUD seja declarada ilegal por envolvimento em fraude eleitoral
Presidente requisitou que sigla oposicionista MUD seja declarada ilegal por envolvimento em fraude eleitoral Foto : Federico Parra / AFP / CP
A oposição venezuelana convocou o poder eleitoral, nesta terça-feira, para fixar uma data para a coleta das assinaturas que permitirão convocar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, que enfrenta a insatisfação da população, devido à aguda crise econômica no país. Em uma medida de última hora, o governo venezuelano pediu nesta terça que a autoridade eleitoral torne ilegal a MUD, acusando-a de fraude na coleta de assinaturas para o referendo revogatório.

"Viemos solicitar o cancelamento da inscrição do chamado partido político Mesa da Unidade Democrática (MUD) por estar envolvido na maior fraude eleitoral vista na história do país", disse a jornalistas o alto dirigente chavista Jorge Rodríguez, destacado por Maduro para monitorar o processo do referendo revogatório.

A oposição esperava que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirmasse nesta terça-feira que se obteve as 200 mil rúbricas para ativar o referendo, abrindo caminho para a segunda etapa: a coleta das 4 milhões de assinaturas necessárias para, finalmente, convocar a consulta.

Mas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou que analisará apenas na próxima segunda-feira o relatório técnico sobre "a revisão do processo de validação" das assinaturas, sem precisar se emitirá uma decisão sobre a ativação da consulta no mesmo dia. "O que o país espera é o anúncio de quando se vai coletar os 20% (quatro milhões) para dar início ao referendo", disse antes da decisão do CNE o porta-voz da MUD, Jesús Torrealba, ao pedir que o Conselho não obstrua "as saídas eleitorais" para a crise.

Em uma enérgica resposta à oposição, o número dois do chavismo, o deputado Diosdado Cabello, reiterou na tarde desta terça-feira: "Não há maneira de haver revogatório, não há". "Em 2016 não haverá revogatório, não haverá; em 2017, no passo em que vamos, tampouco terá revogatório na Venezuela", advertiu Cabello, diante de milhares de seguidores, em um ato público na cidade de Valera.

Para que a consulta aconteça este ano, a oposição deve conseguir que o CNE estabeleça para breve a data de início de coleta de assinaturas. Nesta quarta, como medida de pressão, o movimento fará uma manifestação diante da sede do organismo em Caracas e em todo o país.