O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, alertou, nesta segunda-feira (6), que o opositor exilado Edmundo González Urrutia, que reivindica ter vencido o presidente Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 28 de julho, será preso se voltar ao país.
'Terei prazer em recebê-lo (...) O senhor González Urrutia sabe que assim que colocar um dedo na Venezuela será preso', disse Cabello ironicamente em entrevista coletiva, após a promessa do opositor de retornar ao país sul-americano para tomar posse no dia 10 de janeiro, quando Maduro planeja ser empossado perante o Parlamento para um terceiro mandato (2025-2031). 'Edmundo González Urrutia, se puser um pé na Venezuela será preso e julgado', insistiu.
Urrutia iniciou neste sábado (4) uma série de visitas pela América, começando por Buenos Aires, onde se reuniu com o presidente argentino Javier Milei. Nesta segunda-feira ele se reúne com o presidente norte-americano Joe Biden.
Asilo político
Em 20 de dezembro, a Espanha concedeu asilo político a González Urrutia, acusado pelo Ministério Público venezuelano de "conspiração" e "associação criminosa". Ele se exilou em Madri em 8 de setembro. As autoridades eleitorais venezuelanas proclamaram Maduro reeleito a um terceiro mandato consecutivo de seis anos (2025-2031), sem divulgar detalhes da contagem de votos. A oposição denuncia uma fraude e reivindica a vitória de González Urrutia amparada em atas eleitorais publicadas na internet.
A Argentina não reconhece a reeleição de Maduro, assim como Estados Unidos, União Europeia e vários países latino-americanos. Sua proclamação gerou protestos que deixaram 28 mortos e cerca de 200 feridos, além de 2.400 detidos. Três detidos morreram na prisão e quase 1.400 foram soltos sob liberdade condicional.
Maduro se prepara para tomar posse com o apoio das Forças Armadas, cujo alto comando lhe declarou "lealdade absoluta". O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reuniram-se com Urrutia em setembro e outubro. Em dezembro, o Parlamento Europeu concedeu o Prêmio Sakharov a ele e à líder da oposição Maria Corina Machado por seus "esforços para restaurar a liberdade e a democracia" na Venezuela.