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Organização feminista denuncia Brigitte Macron

Primeira-dama da França criticou ativistas após protesto que interrompeu um show do comediante Ary Abittan

Acusado de estupro em 2021, Abittan teve um show interrompido por protestos feministas, ação que motivou críticas de Brigitte Macron
Acusado de estupro em 2021, Abittan teve um show interrompido por protestos feministas, ação que motivou críticas de Brigitte Macron Foto : Mohammed Badra / POOL / AFP / CP

Uma associação feminista anunciou, nesta terça-feira (16), um processo por difamação pública contra Brigitte Macron, esposa do presidente francês, que chamou algumas ativistas de "vadias estúpidas" por interromperem a apresentação de um ator acusado de estupro.

Suas palavras provocaram indignação entre grupos feministas, a esquerda e o setor cultural, onde diversas atrizes, como Marion Cotillard, expressaram seu apoio às vítimas de agressão sexual.

A associação feminista Les Tricoteuses hystériques entrou com o processo "em nome de 343 mulheres e associações, que se declaram coletiva e individualmente afetadas por essas declarações".

De acordo com o texto do processo, consultado pela AFP, as declarações feitas por Brigitte Macron em 7 de dezembro "podem constituir o crime de difamação pública".

A esposa do presidente Emmanuel Macron chamou as feministas do coletivo #NousToutes, que interromperam o show do ator e comediante Ary Abittan em 6 de dezembro, de "vadias estúpidas".

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Em 2021, uma jovem acusou Abittan de estupro, mas após três anos de investigação, o caso foi arquivado por falta de provas. No entanto, grupos feministas questionaram seu retorno aos palcos, realizando protestos perto dos locais onde ele se apresenta.

Em sua primeira reação à polêmica, Brigitte Macron disse na segunda-feira, em entrevista ao veículo de comunicação Brut, que lamenta se suas palavras magoaram "as mulheres vítimas", mas esclareceu que elas foram ditas "em particular" e que não se arrepende delas.

A França foi abalada nos últimos anos por uma série de denúncias de estupro e agressão sexual contra figuras proeminentes, na esteira do movimento #MeToo.