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Otan confirma entrada de comboios militares russos no leste da Ucrânia

Governo da Rússia desmentiu informações

Informação foi imediatamente desmentida por Moscou
Informação foi imediatamente desmentida por Moscou Foto : Menahem Kahana / AFP / CP
A Otan denunciou nesta quarta-feira que vários comboios militares russos, incluindo tanques, artilharia e tropas de combate, entraram nos últimos dois dias no leste da Ucrânia. A informação foi imediatamente desmentida por Moscou. "Nos últimos dois dias, observamos a mesma coisa que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Vimos colunas de equipamento russo, tanques russos, sistemas de defesa antiaérea russos, artilharia russa e tropas de combate russas entrando na Ucrânia", afirmou o comandante-em-chefe da Aliança Atlântica, Philip Breedlov.

A OSCE alertou nessa terça-feira que o risco de uma escalada no conflito no leste da Ucrânia entre o governo de Kiev e os separatistas pró-russos está aumentando. "O nível de violência no leste da Ucrânia e o risco de uma nova escalada são altos e estão aumentando", afirmou Michael Bociurkiw, membro da missão especial de supervisão da OSCE na Ucrânia, em coletiva de imprensa em Kiev.

A Rússia negou as acusações da Otan sobre o envio de soldados e equipamento militar ao leste da Ucrânia. "Já não prestamos atenção às declarações sem fundamento do comandante-chefe da Otan na Europa" (general Philip Breedlove), declarou o porta-voz do ministério da Defesa, Igor Konashenkov, às agências de notícias russas.

A Ucrânia, por sua vez, afirmou que está preparada para o combate contra as tropas russas e as forças separatistas que reforçam suas posições no leste do país. "Observamos um reforço dos grupos terroristas" (como o governo russos chama os rebeldes pró-russo) e de parte da Rússia. Observamos seus movimentos, sabemos onde se encontram", afirmou o ministro ucraniano da Defesa, Stepan Poltorak, em uma reunião de governo. "Nossa tarefa principal é nos prepararmos para o combate", acrescentou.

Nesta quarta-feira, os disparos de artilharia se intensificaram perto de Donetsk, reduto separatista pró-russo no leste da Ucrânia. Os disparos, mais intensos do que nos últimos dias, começaram nas primeiras horas da manhã e pareciam dirigidos contra o aeroporto, sob controle das tropas leais a Kiev.

Segundo o exército ucraniano, um soldado ficou ferido no aeroporto, epicentro há meses de combates entre as tropas de Kiev e os separatistas. Nos últimos dias, os correspondentes na região presenciaram a chegada de comboios militares com tanques e caminhões sem matrícula. A Ucrânia denuncia desde a última sexta-feira a entrada no leste separatista pró-russo de tanques e peças de artilharia vindas da Rússia.

A situação na região piorou consideravelmente após as eleições separatistas de 2 de novembro, que deixaram em situação crítica os acordos de paz assinados em setembro por Kiev e pelos separatistas pró-Rússia, com mediação da Rússia e da OSCE. O conflito já causou mais de quatro mil mortos e este balanço demonstra mais uma vez a fragilidade do cessar-fogo concluído em 5 de setembro em Minsk, a capital da Belarus.

A crise ucraniana, iniciada há quase um ano com um movimento de protesto pró-Europa reprimido com violência e que provocou a queda do então presidente, o pró-Rússia Viktor Yanukovytch, provocou o pior momento nas relações entre Moscou e os países ocidentais desde o fim da Guerra Fria. A União Europeia vai analisar a situação em uma reunião ministerial prevista para a próxima segunda-feira em Bruxelas.

A questão ucraniana também foi discutida pelos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Vladimir Putin, em Pequim, onde participaram na cúpula de dirigentes da Ásia e Pacífico. Em função da situação, o Conselho de Segurança da ONU vai realizar uma reunião de emergência nesta quarta-feira para discutir as informações sobre a incursão militar russa na Ucrânia.