A Romênia, com o respaldo de seus aliados, atribuiu nesta sexta-feira à Rússia a responsabilidade pela queda de um drone sobre um edifício residencial que deixou dois feridos neste país membro da Otan.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, respondeu que "ninguém pode dizer" por enquanto se o aparelho era russo e assegurou que Moscou "nunca ameaçou nem ameaça os países europeus".
O ministro da Defesa da Romênia, Radu-Dinel Miruta, declarou em coletiva de imprensa que os números de série do aparelho provavam que era, "sem sombra de dúvida", russo.
As autoridades romenas declararam persona non grata o cônsul-geral russo em Constança e anunciaram o fechamento do consulado russo nessa cidade situada às margens do Mar Negro. Moscou respondeu imediatamente prometendo "medidas de retaliação".
O incidente em detalhes
Segundo o Ministério da Defesa, a Rússia atacou na madrugada de sexta-feira com drones "alvos civis e infraestruturas na Ucrânia, perto da fronteira fluvial com a Romênia". Um desses drones penetrou no espaço aéreo romeno, informou o ministério em um comunicado.
Um adolescente de 14 anos e uma mulher de 53 anos ficaram feridos. O aparelho foi rastreado por radar até a parte sul da cidade de Galati e depois caiu sobre o telhado de um edifício residencial, provocando um incêndio ao impactar, acrescentou o Ministério.
Ninguém pode dizer qual é a origem deste ou daquele drone enquanto não tiver sido realizada uma perícia, declarou Vladimir Putin a jornalistas no Cazaquistão. Ele também citou quedas de drones ucranianos em outros países.
Por que não foi interceptado?
As forças romenas não tiveram tempo suficiente para derrubar o drone, afirmou uma autoridade de defesa. Ela acrescentou que não houve oportunidades realistas para neutralizá-lo de forma segura.
O tempo de que dispúnhamos — quatro minutos — foi extremamente curto, declarou o general Gheorghe Maxim, do Comando Conjunto. O presidente romeno, Nicusor Dan, disse que a decisão de não intervir foi tomada porque não existiam as condições necessárias para destruí-lo sem colocar em risco a segurança da população civil.
Como a Romênia respondeu?
O presidente romeno acusou a Rússia pelo incidente. O mandatário convocou o Conselho Supremo Nacional de Defesa para debater as implicações do incidente mais grave que afetou seu território desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Bucareste informou a Otan e pediu medidas para acelerar a transferência de capacidades antidrones para a Romênia. Dois caças F-16 foram enviados.
"Onde estão os sistemas antidrones? Eles não deveriam estar posicionados na fronteira romena? Por que não estão? Onde está a União Europeia? A Otan?", perguntou indignada Mihaela, uma moradora de Galati de 47 anos que não quis informar seu sobrenome. "Temo pela minha vida", acrescentou.
Mais tarde, nesta sexta-feira, o presidente romeno foi vaiado no local do impacto, onde algumas pessoas entoaram gritos de "renúncia!".
Reação de UE e aliados
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou no X que "a guerra de agressão cruzou mais uma linha vermelha" e expressou sua "plena solidariedade" ao país.
Maia Sandu, presidente da Moldávia, um país situado entre a Romênia e a Ucrânia e que também sofreu repetidas incursões de drones em seu território, considerou que a Rússia representa um "perigo para todos".
Também houve condenações por parte da Alemanha, do Reino Unido e da França. Esta última anunciou que havia convocado o embaixador russo. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reiterou no X seu apelo à União Europeia para que imponha sanções "fortes" à Rússia e afirmou que a Rússia está preparando um "novo ataque massivo" contra seu país.
E a Otan?
A aliança militar transatlântica condenou o comportamento irresponsável da Rússia. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta sexta-feira que assegurou ao presidente Dan a solidariedade absoluta da aliança. Ele destacou que a Otan está preparada para defender cada centímetro do território aliado.
O embaixador dos EUA na Otan, Matthew Whitaker, também condenou a incursão imprudente da Rússia e expressou apoio ao aliado. Outros países da Otan, como Letônia, Estônia e Polônia, estão cada vez mais vulneráveis a incursões de drones em seus territórios por partes beligerantes.
Fontes da Otan indicaram que não havia indícios de que Bucareste tivesse solicitado consultas de emergência nos termos do Artigo 4 da aliança. Esse artigo estipula que os membros da Otan realizarão consultas sempre que, a critério de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer das partes estiver ameaçada.