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Paciente local nº1 da Itália receberá alta e verá nascimento da filha

Homem foi primeiro caso da infecção confirmado no país há um mês, mas nunca esteve em Wuhan e foi contagiado por um amigo que esteve na China

Itália superou número de casos que a China
Itália superou número de casos que a China Foto : Piero Cruciatti / AFP / DIVULGAÇÃO / CP

Depois de 28 dias isolado, Mattia reviu pela primeira vez a mulher, que está na 37ª semana de gravidez. Entre os dois, o vidro da porta do quarto onde o paciente zero da Itália completa sua recuperação. "Vou ver minha filha nascer", disse ao Corriere della Sera o pesquisador que trabalha para a Unilever.

Mattia é pesquisador e grande esportista. Além de futebol, é um fundista que disputa provas de rua e voluntário da Cruz Vermelha. No começo de fevereiro, reencontrou em um jantar um amigo que acabara de retornar da China sem nenhum sintoma da Covid-19. Dias depois, surgiram os primeiros sintomas. Parecia uma gripe. Era 15 de fevereiro. No dia 17, Mattia não foi trabalhar. O médico de família o examinou. No dia seguinte, procurou o hospital. Deram-lhe um antibiótico e o mandaram para casa. Ninguém associou sua doença à Covid-19, que então atingia a China. Nem Mattia se lembrou de contar aos médicos sobre o jantar.

No dia 19, seu estado piorou e ele voltou ao hospital e, 24 horas depois, estava entubado na UTI. Foi aí que surgiu a hipótese do coronavírus. Iniciou-se a corrida atrás dos lugares por onde Mattia havia passado e uma busca pelas pessoas com quais estivera. Tarde demais. Superativo, antes que a doença de Mattia fosse descoberta, o paciente zero participara de duas corridas com amigos da empresa e de atividades como voluntário.

Quem dera o alarme sobre seu caso, revelando o jantar com o amigo retornado da China, foi a mulher, Valentina, que também se contaminara. Levada para um hospital de Milão, ela melhorou logo e foi para casa. Os pais de Mattia, que contraíram o vírus, tiveram alta no dia 10. Um dia antes, o pesquisador deixara o respirador artificial da UTI, quando um coquetel de medicamentos experimentais começou a fazer efeito. Valentina e Mattia decidiram que a filha do casal se chamará Gioia (alegria, em italiano).

"Estou emagrecido, em forma. Meu único desejo é estar ao lado da minha mulher durante o parto", afirmou Mattia. Valentina passou todos os dias recebendo, às 18 horas, telefonema do médico Francesco Mojoli, que lhe dava as notícias sobre o estado de saúde do marido. "Ficava todos os dias esperando aquele momento", afirmou Valentina ao Corriere della Sera.

O reencontro atrás do vidro da porta foi apenas uma precaução dos médicos. Depois de deixar a UTI e a unidade de terapia semi-intensiva, Mattia ainda permanece em observação. Ele só deve deixar o hospital entre segunda-feira ou quarta-feira. E vai encontrar uma Itália sacudida pela pandemia.