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Palestinos "se recusam a negociar", diz Netanyahu

Primeiro-ministro israelense defendeu que país estende a mão a vizinhos

Benjamin Netanyahu discursou durante Assembleia Geral da ONU
Benjamin Netanyahu discursou durante Assembleia Geral da ONU Foto : Spencer Platt / Getty Images / AFP
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta-feira às Nações Unidas que Israel estende a mão aos palestinos em busca da paz, o que eles recusam. Ele defendeu que a base do conflito é a rejeição palestina em "reconhecer o Estado judeu e quaisquer fronteiras". "Reconheçam o Estado judeu e façam a paz conosco", afirmou. As declarações foram feitas em discurso durante a 66ª Assembleia Geral da ONU.

Netanyahu destacou que o centro do conflito não é a questão dos assentamentos, que ele considera apenas como “o resultado” do não-reconhecimento do Estado judeu. O premiê israelense disse que Israel está preparado para assumir "compromissos dolorosos".

Pouco antes, o presidente palestino, Mahmud Abbas, apresentou o pedido de adesão de um Estado palestino, com base nas fronteiras de 1967. O porta-voz de Netanyahu, Gidi Shmerling, lamentou o gesto. "Acreditamos que o único caminho para a paz verdadeira é através de negociações e não através de passos unilaterais", disse.

No discurso de Abbas, ele disse que o governo israelense destruiu todos os esforços para alcançar um acordo. "Estes esforços sinceros e as iniciativas internacionais foram repetidamente destruídas pelas posições do governo israelense, que rapidamente acabou com as esperanças que surgiram com o lançamento de negociações em setembro passado", afirmou.

Pedido de reconhecimento


O pedido para que as Nações Unidas reconheçãm o Estado da Palestina como membro pleno foi apresentado ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Já os Estados Unidos convocaram Abbas a retonar às "negociações diretas" com Israel. "Quando o discurso acabar, todos devemos reconhecer que o único caminho para criar um Estado é através de negociações diretas, não de atalhos", afirmou o embaixador americano na ONU.



Manifesto na Capital


Nesta sexta, dezenas de pessoas estenderam uma grande bandeira, no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre, para apoiar o reconhecimento da Palestina como Estado. Além da bandeira da Palestina, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) colocou uma faixa no local com as palavras: "Justiça, Paz e Liberdade". Entre os que se agruparam em frente ao Mercado Público, estavam pessoas vestidas com roupas características da região.

O presidente da Fepal, Elayyan Aladim, destacou que mesmo de longe, o sofrimento dos palestinos é grande.
“O fato da imigração ser recente no Brasil resulta que a maioria de nós tem parentes diretos e de primeiro grau que ainda vivem na Palestina e sofrem diariamente com a opressão”, explicou.

Como funciona o reconhecimento da ONU

Após receber o pedido da Autoridade Palestina, o secretário-geral da ONU levará a solicitação ao Conselho de Segurança, que examinará e votará a proposta. Para aprovar a decisão e se tornar o 194º membro pleno das Nações Unidas, os palestinos precisam de nove votos de um total de 15 e nenhum veto dos membros permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia).

No entanto, os Estados Unidos já deixaram claro que usarão seu poder de veto para derrubar a medida. Reino Unido e França devem se abster e, até agora, não reconheceram o Estado Palestino.

Outra alternativa para os palestinos é pedir para a Assembleia Geral da ONU adotar uma resolução clara. Para sua aprovação, seria necessária uma maioria simples. No entanto, neste caso, a Palestina se tornaria um "observador não membro", o que permitiria o ingresso a algumas entidades das Nações Unidas. Atualmente, os palestinos possuem status de observadores, representados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

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