Pela primeira vez desde sua criação em 1808, sob decreto Napoleão Bonaparte, o exame realizado por estudantes franceses do ensino secundário para ingressar à educação superior não ocorrerá em sua forma tradicional. O Baccalauréat não ocorrerá neste verão, anunciou o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer. Ele afirmou nesta sexta-feira de manhã que "todos os exames de patentes e bacharelado" serão feitos por "testes contínuos": todos os candidatos terão suas notas atribuídas com base em suas médias, em cada disciplina, obtidas no primeiro e no segundo trimestres. Aquelas concedidas remotamente durante o período de confinamento não contam.
Por outro lado, se os cursos forem retomados nos estabelecimentos, os alunos trabalharão "até 4 de julho", explicou, inclusive na Terminale (o terceiro ano do ensino médio). É um júri independente – e não os professores dos alunos – que examinará os folhetos escolares dos participantes. Os resultados do Le bac, como é conhecido, inicialmente agendados para 7 de julho, serão conhecidos somente após o final oficial do ano letivo.
O Ministério da Educação planeja, "se as condições sanitárias permitirem", organizar exames orais corretivos para alunos cuja pontuação na avaliação contínua seja entre 8 e 20, a nota máxima do sistema educacional francês. Eles ocorrerão em julho nas escolas secundárias, da mesma forma que nas edições anteriores do exame. Os candidatos que receberem uma pontuação eliminatória abaixo de 8 podem ser excepcionalmente "repescados" pelo júri, que dará a eles o direito de passar por uma sessão corretiva em setembro. A escolha será feita com base nos critérios de frequência do aluno ou nas avaliações de seus professores.
O modelo francês de Educação
Os adolescentes devem escolher entre dois tipos diferentes de ensino, o lycée général et technologique (geral e tecnológico) ou lycée professionnel (profissional). Ambos têm durações de três anos mas objetivos distintos. Enquanto o primeiro busca uma preparação para a universidade, o segundo oferece serve aos estudantes que não planejam continuar no ensino superior, mas se inserir no mercado de trabalho.
1. A seconde é um ano chamado de determinação, com lições comuns a todos os alunos (Francês; História; Geografia; Línguas Modernas 1 e 2; Matemática; Física-Química; Ciências da Vida e da Terra; Educação Física e Desportos; e Educação Cívica, Legal e Social). Além disso, os alunos escolhem duas lições de exploração, que buscam deixá-los familiarizados com distintos campos disciplinares de conhecimento e métodos associados para, assim, identificar as atividades profissionais às quais tem mais aptidão.
Ao final da seconde, os estudantes optam pela vertente geral ou tecnológica e escolhe, sua opção de série de especialidade, a qual guiará o restante da carreira. Na geral, escolhem entre as séries Científica (S), Econômica e Social (ES) e Literária (S). Na tecnológica, as opções são Ciência e Tecnologia na Indústria e Desenvolvimento Sustentável (STI2D); Laboratório de Ciência e Tecnologia (STL); Ciências e Tecnologias de Admnistração e Gestão (STMG); Ciências e Tecnologias da saúde e sociais (ST2S); Ciência e Tecnologia de design e artes aplicadas; Hotel e restauração (STHR); Técnicas de música e dança (DTM); e Ciências e tecnologias da agronomia e da vida (STAV).
2. A première é composta por 60% de lições comuns e o restante de classes dedicadas à especialidades escolhida pelo aluno. No total, esse currículo central representa 15 horas de aulas semanais de um total de 26 horas a 27 horas (dependendo da série). Todos os alunos também têm horas de suporte personalizado e trabalho prático supervisionado.
3. A terminale tem 30% de lições comum e 70% de especialidade. Além disso, os estudantes ganham duas horas de suporte personalizado (suporte, aprofundamento, assistência de orientação) por semana. Neste último ano, os alunos passam por uma prova equivalente ao vestibular, o baccalauréat.