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Papa concede indulto a mordomo condenado por caso Vatileaks

Paolo Gabriele foi detido em outubro por ter roubado documentos secretos

Bento XVI visitou Gabriele para confirmar perdão
Bento XVI visitou Gabriele para confirmar perdão Foto : AFP
O Papa Bento XVI concedeu neste sábado indulto a seu ex-mordomo Paolo Gabriele, condenado em outubro por ter roubado documentos secretos do Vaticano, e que passou 117 dias detido na Santa Sé. "O Santo Padre, em um ato muito paternal, foi ver Paolo Gabriele pessoalmente para informá-lo que ele havia concedido sua graça", indicou o padre Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

O encontro durou cerca de 15 minutos, segundo o Vaticano. "Bento visitou Gabriele na prisão, para confirmar o seu perdão e comunicar pessoalmente que ele acolheu seu pedido de perdão, apagando a sentença que tinha sido imposta", disse o porta-voz. Este gesto lembra o encontro de João Paulo II, em 1983, na prisão romana de Rebibbia com seu agressor turco Mehmet Ali Agca, destacou Lombardi, que fez referência a uma conversa de "tom muito pessoal" entre o Papa e seu ex-mordomo.

Gabriele, de 46 anos e que tem a cidadania vaticana, imediatamente recuperou a liberdade e voltou para sua casa, no Vaticano, com sua esposa e três filhos. No entanto, em sua declaração oficial, o Vaticano disse que ele "não poderá retomar seu trabalho anterior, nem continuar a residir no local". Mas a Santa Sé "confia na sinceridade de suas desculpas" e irá ajudá-lo "a retomar uma vida tranquila com sua família".

Gabriele foi condenado no dia 2 de outubro a 18 meses de prisão por "furto qualificado" de documentos confidenciais. Ele não recorreu. O mordomo passou um total de 117 dias na prisão, entre o período de detenção depois de sua prisão em 23 de maio e o período de encarceramento em uma cela da Gendarmaria do Vaticano após o veredicto.

"É um gesto paternal do Santo Padre a uma pessoa com quem o Papa compartilhou por vários anos uma proximidade", explicou o porta-voz. A prisão do mordomo havia causado verdadeiro espanto, já que Paolo Gabriele era, desde 2006, o funcionário mais próximo do Papa, e Bento XVI tinha grande confiança nele. Em suas motivações, Gabriele declarou que queria ajudar o Papa, mal informado, e esclarecer sobre a "corrupção" e o "mal" na Igreja.

O caso Vatileaks ainda não está concluído. A investigação da Gendarmaria do Vaticano segue discretamente seu curso sobre as centenas de vazamentos de documentos à imprensa italiana. De fato, alguns documentos publicados pela mídia não procederam de Paolo Gabriele.

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