O encontro durou cerca de 15 minutos, segundo o Vaticano. "Bento visitou Gabriele na prisão, para confirmar o seu perdão e comunicar pessoalmente que ele acolheu seu pedido de perdão, apagando a sentença que tinha sido imposta", disse o porta-voz. Este gesto lembra o encontro de João Paulo II, em 1983, na prisão romana de Rebibbia com seu agressor turco Mehmet Ali Agca, destacou Lombardi, que fez referência a uma conversa de "tom muito pessoal" entre o Papa e seu ex-mordomo.
Gabriele, de 46 anos e que tem a cidadania vaticana, imediatamente recuperou a liberdade e voltou para sua casa, no Vaticano, com sua esposa e três filhos. No entanto, em sua declaração oficial, o Vaticano disse que ele "não poderá retomar seu trabalho anterior, nem continuar a residir no local". Mas a Santa Sé "confia na sinceridade de suas desculpas" e irá ajudá-lo "a retomar uma vida tranquila com sua família".
Gabriele foi condenado no dia 2 de outubro a 18 meses de prisão por "furto qualificado" de documentos confidenciais. Ele não recorreu. O mordomo passou um total de 117 dias na prisão, entre o período de detenção depois de sua prisão em 23 de maio e o período de encarceramento em uma cela da Gendarmaria do Vaticano após o veredicto.
"É um gesto paternal do Santo Padre a uma pessoa com quem o Papa compartilhou por vários anos uma proximidade", explicou o porta-voz. A prisão do mordomo havia causado verdadeiro espanto, já que Paolo Gabriele era, desde 2006, o funcionário mais próximo do Papa, e Bento XVI tinha grande confiança nele. Em suas motivações, Gabriele declarou que queria ajudar o Papa, mal informado, e esclarecer sobre a "corrupção" e o "mal" na Igreja.
O caso Vatileaks ainda não está concluído. A investigação da Gendarmaria do Vaticano segue discretamente seu curso sobre as centenas de vazamentos de documentos à imprensa italiana. De fato, alguns documentos publicados pela mídia não procederam de Paolo Gabriele.