Durante a cerimônia solene, o Papa lembrou a vida exemplar das duas religiosas latino-americanas que viveram na primeira metade do século XX. "Elas se opuseram ao aburguesamento do coração, que nos paralisa", disse em italiano, improvisando durante a homilia. "Não se deve ter vergonha, nem medo, nem desgosto de tocar a carne de Cristo", acrescentou o pontífice, que repassou a vida das duas religiosas que dedicaram a vida aos pobres e mais necessitados.
A nova santa colombiana alcança a glória dos altares por seu trabalho com os indígenas. Já a mexicana porque, "renunciando a uma vida confortável para seguir o chamado de Jesus, ensinava a amar a pobreza, para poder amar mais os pobres e os doentes", disse o Papa. "Madre Lupita se ajoelhava no chão do hospital diante dos doentes e os abandonados para servi-los com ternura e compaixão", afirmou. "Entendeu o que significa tocar a carne de Cristo", explicou.
As duas santas foram fundadoras de ordens religiosas. "A nova santa mexicana nos convida a amar como Jesus nos amou e isso nos leva a não nos fecharmos em nós mesmos, nos próprios problemas, nas próprias ideias, nos próprios interesses, mas a sair e ir ao encontro dos que precisam de atenção, compreensão e ajuda, para levar a eles a quente proximidade do amor de Deus através de gestos concretos de delicadeza e de afeto sincero", acrescentou.
Durante a cerimônia, também foram canonizados um modesto sapateiro italiano, Antonio Primado, decapitado em Otranto (sul da Itália), junto com 800 mártires, por terem se negado em 1480 a se converter ao Islã por ordem do comandante otomano Ahmed Gelik Pascia.
Tema polêmico
Ainda na cerimônia, o Papa Francisco pediu que "seja garantida a proteção jurídica do embrião", de forma que "o ser humano seja protegido desde o primeiro instante de sua existência".
Trata-se da primeira vez que o Papa se pronuncia publicamente sobre o controverso tema que provoca debate em muitos países europeus ao defender o "caráter sagrado da vida" desde sua concepção, uma condenação indireta ao aborto.
O pontífice saudou os participantes de uma grande marcha popular que contou com a participação de pessoas de diferentes paróquias e de membros de organizações pró-vida provenientes de vários pontos da Europa.
Francisco, que já havia mostrado posturas conservadoras sobre estes temas quando era arcebispo de Buenos Aires, convidou a manter "viva" a atenção de todos sobre o tema tão importante do respeito à vida desde a concepção.