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Papa pede fim da vingança e da violência no Oriente Médio

Bento XVI realiza visita no Líbano

Papa Bento XVI fez discurso no palácio presidencial de Baabda
Papa Bento XVI fez discurso no palácio presidencial de Baabda Foto : Filippo Monteforte / AFP / CP
O papa Bento XVI pediu aos povos do Oriente Médio que digam não à violência e reconheçam os erros a fim de acabar com a violência verbal e física, em um discurso ante responsáveis políticos e religiosos em Beirut, onde realiza uma histórica visita. O Papa falou do palácio presidencial de Baabda, no segundo dia de sua visita ao Líbano.

Bento XVI centrou sua intervenção nas condições religiosas e sociais que podem favorecer a paz na região, ensanguentada pela guerra na Síria e pelas violentas manifestações em países árabes contra um filme norte-americano chamado "A Inocência dos Muçulmanos", considerado ofensivo pelo islã e que já provocou violentos protestos no Oriente Médio e no norte da África.

O Pontífice pediu pelo fim dos atentados contra a dignidade humana, sem aludir diretamente aos recentes distúrbios gerados pela divulgação do filme. "Temos que dizer não à vingança, que reconhecer nossos erros, aceitar as desculpas sem buscá-las, e enfim perdoar. Pois só o perdão dado e recebido senta as bases duradouras da reconciliação e da paz", afirmou Bento XVI.

"No Líbano, o cristianismo e o islã convivem no mesmo espaço há séculos. Não é raro ver em uma mesma família duas religiões. Se isso é possível em uma família, por que não seria em uma sociedade com um todo?", perguntou o Papa.

O presidente Michel Suleiman, por sua vez, único chefe de Estado cristão no mundo árabe, pediu que no Oriente Médio a democracia "assegure os diferentes componentes do mundo árabe, incluindo o cristão (...), participar na vida política e na gestão pública, independentemente de sua proporção numérica e sobre a base da cidadania (...)".

Bento XVI destacou ainda a peculiaridade religiosa do Oriente Médio, que secularmente se encontra em meio a diferentes componentes. "Neste contexto, professar e viver livremente sua religião sem por em risco sua vida e sua liberdade deve ser possível para todos", afirmou o Papa.

"As diferenças culturais, sociais e religiosas devem nos conduzir a viver um novo tipo de fraternidade (...) Este diálogo só é possível ao ser consciente de que existem valores comuns a todas as grandes culturas", completou o Pontífice.

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