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Papa pede para Trump reconsiderar deportação de jovens em situação ilegal

Programa criado por Obama beneficiou cerca de 800 mil pessoas desde 2012

Papa fez declaração dentro de avião papal, diante de cerca de 70 jornalistas
Papa fez declaração dentro de avião papal, diante de cerca de 70 jornalistas Foto : Andrew Medichini / POOL / AFP / CP
O papa Francisco disse esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "reconsidere" a lei sobre as deportações de jovens em situação ilegal beneficiados pelo programa Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca) - os chamados "dreamers" -, em declarações dadas a bordo do avião papal, rumo a Roma. "Não conheço bem a lei", admitiu o sumo pontífice, ressaltando, ainda assim, que "separar os jovens da família nunca dá bons frutos, nem para os jovens, nem para a família". "Tenho a esperança de que vai reconsiderá-la, porque eu ouvi o presidente dos Estados Unidos se definir como um homem "prolife" (pró-vida), um defensor da vida. Então, se for um bom 'prolife', entende a importância da família e da vida e que se deve defender sua unidade", frisou.

"Quando os jovens se sentem explorados, no fim, perdem a esperança. E quem rouba a esperança deles? A droga, os outros vícios, o suicídio juvenil. E isso acontece quando nós os tiramos de suas raízes. É muito importante ter raízes", comentou, em italiano, em conversa com os cerca de 70 jornalistas que o acompanhavam no avião papal. "Os jovens desarraigados hoje pedem ajuda, querem recuperar as raízes", garantiu.

Na terça-feira passada, Trump anunciou o fim do decreto firmado por seu antecessor, o democrata Barack Obama, o qual permitia adiar a deportação imediata desses jovens. Ao revogar o Daca, que beneficiou cerca de 800 mil pessoas desde 2012, o presidente cumpriu uma promessa de campanha de tolerância zero em relação aos imigrantes em condição ilegal.

Mudança climática: história julgará 

O pontífice, autor da primeira encíclica "ecológica" da história, também falou de forma indireta sobre o presidente americano, ao ser questionado sobre mudança climática. "Quem nega a mudança climática é melhor consultar os cientistas. São claros e precisos. Quando saiu a notícia da embarcação russa, que foi da Noruega para o Japão sem usar o quebra-gelo, quer dizer que já se pode ir ao Polo Norte. Isso ficou muito claro", comentou. "Acredito que seja uma tema sobre o qual não se pode fazer brincadeiras, é algo sério", advertiu.