O papa Francisco disse esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "reconsidere" a lei sobre as deportações de jovens em situação ilegal beneficiados pelo programa Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca) - os chamados "dreamers" -, em declarações dadas a bordo do avião papal, rumo a Roma. "Não conheço bem a lei", admitiu o sumo pontífice, ressaltando, ainda assim, que "separar os jovens da família nunca dá bons frutos, nem para os jovens, nem para a família". "Tenho a esperança de que vai reconsiderá-la, porque eu ouvi o presidente dos Estados Unidos se definir como um homem "prolife" (pró-vida), um defensor da vida. Então, se for um bom 'prolife', entende a importância da família e da vida e que se deve defender sua unidade", frisou.
"Quando os jovens se sentem explorados, no fim, perdem a esperança. E quem rouba a esperança deles? A droga, os outros vícios, o suicídio juvenil. E isso acontece quando nós os tiramos de suas raízes. É muito importante ter raízes", comentou, em italiano, em conversa com os cerca de 70 jornalistas que o acompanhavam no avião papal. "Os jovens desarraigados hoje pedem ajuda, querem recuperar as raízes", garantiu.
Na terça-feira passada, Trump anunciou o fim do decreto firmado por seu antecessor, o democrata Barack Obama, o qual permitia adiar a deportação imediata desses jovens. Ao revogar o Daca, que beneficiou cerca de 800 mil pessoas desde 2012, o presidente cumpriu uma promessa de campanha de tolerância zero em relação aos imigrantes em condição ilegal.
Mudança climática: história julgará
O pontífice, autor da primeira encíclica "ecológica" da história, também falou de forma indireta sobre o presidente americano, ao ser questionado sobre mudança climática. "Quem nega a mudança climática é melhor consultar os cientistas. São claros e precisos. Quando saiu a notícia da embarcação russa, que foi da Noruega para o Japão sem usar o quebra-gelo, quer dizer que já se pode ir ao Polo Norte. Isso ficou muito claro", comentou. "Acredito que seja uma tema sobre o qual não se pode fazer brincadeiras, é algo sério", advertiu.
Papa pede para Trump reconsiderar deportação de jovens em situação ilegal
Programa criado por Obama beneficiou cerca de 800 mil pessoas desde 2012