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Papa pede por cristãos do Oriente Médio e desabrigados da América Latina

Bento XVI fez pronunciamento do balcão da basílica de São Pedro, no Vaticano

Papa pede por cristãos do Oriente Médio e desabrigados da América Latina
Papa pede por cristãos do Oriente Médio e desabrigados da América Latina Foto : Alberto Pizzoli / AFP
Em sua tradicional mensagem de Natal, o papa Bento XVI fez um apelo neste sábado às autoridades políticas para que apoiem os perseguidos cristãos e demonstrem "solidariedade ativa" em relação às "queridas comunidades no Iraque e em todo o Oriente Médio". Em pronunciamento do balcão da basílica de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fieis, o pontífice rogou também por ajuda para as famílias que perderam tudo nos desastres naturais que afetaram diversos países latino-americanos.

Na homilia, que precede a bênção "Urbi et Orbi" ("à cidade e ao mundo"), na qual tradicionalmente fala sobre os diferentes conflitos mundiais, o papa desejou "tranquilidade e esperança para o futuro" aos cristãos que suportam "dor e dificuldades", destacando a importância de garantir o respeito à liberdade religiosa.

"Que o amor de Deus em nós dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem perseguições e discriminação, e inspire os líderes políticos e religiosos a comprometerem-se com o pleno respeito à liberdade religiosa de todos", declarou. A situação dos cristãos no Iraque é motivo de especial preocupação para Bento XVI. Milhares de fieis já deixaram o país desde o violento ataque a uma catedral católica siríaca em Bagdá, reivindicado pela Al-Qaeda, que acabou com a morte de 46 pessoas, incluindo dois sacerdotes.

Atualmente, vivem no Iraque cerca de 500 mil de cristãos, contra 1,2 milhão em 2003, antes da invasão americana que derrubou o ditador Saddam Hussein. Ele também rezou para que israelenses e palestinos consigam existir "em convivência justa e pacífica".

"Que a luz do Natal resplandeça novamente naquela terra, onde Jesus nasceu, e inspire israelenses e palestinos a buscarem uma convivência justa e pacífica", afirmou. As negociações entre israelenses e palestinos estão bloqueadas desde o recente fracasso dos Estados Unidos, que não conseguiram convencer Israel a estabelecer uma nova moratória das construções na Cisjordânia.

O sumo pontífice também dedicou parte de sua mensagem, transmitida ao vivo por redes de televisão do mundo inteiro, à América Latina. Bento XVI pediu ajuda para os desabrigados das catástrofes naturais que castigaram a América Latina em 2010, como o terremoto no Haiti, em janeiro, e as recentes inundações na Colômbia e Venezuela.

"Que tampouco nos esqueçamos de que a Colômbia e a Venezuela, como também a Guatemala e a Costa Rica, foram afetadas por recentes calamidades naturais", destacou. As enchentes e os deslizamentos de terra provocados pelas intensas chuvas já deixaram mais de 120 mil pessoas sem ter para onde ir na Venezuela, e cerca de 1,9 milhão na Colômbia.

Além disso, Bento XVI fez um apelo para que "se abram perspectivas de paz duradoura e de autêntico progresso" na Somália, no Sudão e na Costa do Marfim, país onde o atual presidente Laurent Gbagbo e o candidato vencedor das eleições Alassane Ouattara disoutam o poder.

Por fim, pediu "segurança e respeito aos direitos humanos" no Afeganistão e no Paquistão, e a "reconciliação na península coreana". O papa disse ser necessária "a celebração do nascimento do Redentor, e que esta reforce o espírito de fé, paciência e fortaleza nos fieis da Igreja na China continental, para que não sejam desestimulados pelas limitações à liberdade de religião e consciência".
 
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