• "Minha alegria é maior que meu cansaço", diz Papa
Tratou-se da primeira coletiva de imprensa desde que o argentino foi eleito, em março, ao trono de Pedro, e foi dada depois de sua histórica visita ao Rio de Janeiro por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que terminou nesse domingo.
Amável e divertido, mas prudente, Francisco respondeu às perguntas feitas por 15 jornalistas, sem se esquivar de nenhuma tema. "O problema não é ter essa orientação (homossexual). Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", disse.
Questionado sobre o "escandaloso caso de amor" entre o monsenhor Battista Ricca, nomeado por ele recentemente a um cargo estratégico no banco do Vaticano, e um capitão da guarda suíça, como exemplo da rede no Vaticano por acesso a cargos de poder, o Papa admitiu que não tinha informações sobre esse controverso passado. "Pedi uma breve investigação sobre ele e não encontramos nada contra", disse. "Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com um documento de identidade dizendo que é gay", brincou.
Ele pediu que não haja marginalização. "O catecismo da Igreja Católica é muito claro e diz que não devemos marginalizar as pessoas que devem ser integradas na sociedade", acrescentou. Ao abordar a sexualidade em geral dentro da Igreja Católica, o Papa fez uma diferença entre crimes como o "abuso infantil" e os chamados "pecados da juventude". "Leigos, padres, freiras, cometem pecados e então se convertem. Quando o Senhor perdoa, se esquece de tudo", acrescentou.
Questionado sobre o casamento gay e o aborto, duas questões as quais a Igreja Católica se opõe severamente, o pontífice respondeu de forma breve e seca. "Todos vocês estão bem cientes da posição da Igreja sobre esta questão", concluiu.
Vaticano e Itália assinam acordo
O Vaticano e a Itália assinaram um "protocolo de acordo" para cooperar na luta contra a lavagem de dinheiro, após os escândalos que atingiram as instituições financeiras da Santa Sé, anunciaram nesta segunda-feira as duas partes.
O acordo foi assinado em 26 de julho pela Autoridade de Informação Financeira (AIF) do Vaticano, dirigida por um suíço especializado em crimes financeiros, e por Roma pela Unidade de Informações Financeira (UIF) do Banco da Itália, indica um comunicado oficial. "O protocolo assinado foi redigido com base no modelo preparado pelo Egmont Group, a organização mundial das agências de informações financeiras nacionais", diz o texto.
Ao longo dos anos, escândalos mancharam a reputação do Banco do Vaticano, o Instituto para as Obras de Religião (IOR), principalmente com meios criminosos aproveitando-se do anonimato e discrição da instituição para lavar seus fundos. O caso mais grave foi em 1982 com a falência do Banco Ambrosiano, um escândalo bancário que envolveu a CIA (Agência de Inteligência Americana) e a maçonaria.
A ocorrência mais recente envolveu um prelado que trabalhava na Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (APSA), o organismo que administra os bens da Santa Sé, e que foi preso no final de junho pela polícia italiana que suspeita que ele utilizou suas contas no IOR para lavar dinheiro oriundo de evasão fiscal.
O Papa Francisco reagiu nesta segunda-feira ao anúncio afirmando: "Temos um prelado que está na prisão, é um escândalo, alguma coisa que faz mal". O Papa emérito Bento XVI e Francisco decidiram colocar ordem no IOR, nomeando sucessivamente novos responsáveis e instaurando controles cada vez mais severos por este instituto, principalmente com a criação da AIF, no final de dezembro de 2010. "A Santa Sé leva muito a sério suas responsabilidades internacionais em matéria de luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo", comentou o suíço René Brülhart, diretor da AIF, citado pelo comunicado oficial.