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Paquistão revisará sua cooperação com os EUA na luta antiterrorista

Ataque da Otan matou 24 soldados paquistaneses

Paquistão revisará sua cooperação com os EUA na luta antiterrorista
Paquistão revisará sua cooperação com os EUA na luta antiterrorista Foto : Faroo q Naeem / AFP
A Otan classificou neste domingo de incidente "trágico" o ataque aéreo que matou 24 soldados paquistaneses e gerou uma crise entre Estados Unidos e Paquistão, que afirma ter a intenção de revisar sua cooperação com Washington na luta antiterrorista. Esse é o erro mais grave no Paquistão da coalizão liderada pelo exército americano no outro lado da fronteira desde que Islamabad se aliou, no fim de 2001, a Washington em sua "guerra contra o terrorismo".

A situação reativa a crise bilateral provocada por um ataque americano em território paquistanês que causou a morte de Osama Bin Laden no dia 2 de maio. No sábado, antes do amanhecer, vários helicópteros e aviões bombardearam dois postos do exército no lado paquistanês da fronteira.

A Força Internacional da Otan (Isaf) afirma que seus militares mobilizados no lado afegão solicitaram apoio aéreo, e este teria "muito provavelmente" causado as baixas paquistanesas. Washington reagiu imediatamente expressando no sábado seus "mais profundos pêsames" e prometeu apoiar "uma investigação imediata da Otan".

No entanto, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, demorou mais de 36 horas para reagir. É um "incidente trágico" e "involuntário", disse. "Vamos determinar o que ocorreu e tirar as lições adequadas", afirmou Rasmussen. Não é a primeira vez que aeronaves da Otan matam soldados paquistaneses durante bombardeios contra talibãs afegãos em zonas montanhosas, onde se torna difícil localizar a fronteira, mas o balanço de vítimas nunca foi tão alto.

Os investigadores deverão determinar se, como afirma Islamabad, não houve "nenhuma agressão" por parte de seus soldados, ou se os militares estrangeiros - em território afegão, como afirma a Isaf, ou talvez no Paquistão - solicitaram um ataque aéreo em resposta aos disparos procedentes do Paquistão. "Ataques como estes são completamente inaceitáveis, demonstram uma indiferença total pelo direito internacional e pela vida de seres humanos", declarou neste domingo a ministra das Relações Exteriores paquistanesa, Hina Rabani Khar, durante uma conversa por telefone com a secretária americana de Estado, Hillary Clinton.

O Paquistão interrompeu no sábado o tráfego de comboios de abastecimento da Isaf, dos quais a imensa maioria transita por seu território, exigiu que militares americanos abandonem em até 15 dias uma base no sudoeste do país e ameaçou revisar sua cooperação na luta antiterrorista. Na noite de sábado, o governo e a hierarquia militar paquistanesa se reuniram e anunciaram que Islamabad "reconsiderará completamente todos os seus programas, atividades e acordos de cooperação com os Estados Unidos, a Otan e a Isaf, incluindo os diplomatas, políticos, militares e de inteligência".

Os bombardeios "são uma violação absoluta da soberania do Paquistão, que afeta negativamente os progressos realizados pelos dois países para restaurar suas relações e obriga o Paquistão a revisar os termos de seu compromisso" na luta contra o terrorismo, repetiu neste domingo Rabani Khar a Hillary. A ministra expressou "o sentimento profundo de raiva que se sente em todo o Paquistão" e confirmou a decisão de bloquear a estrada aos comboios de abastecimento da Otan.

Desde que Islamabad se aliou a Washington, em 2001, suas zonas tribais fronteiriças com o Afeganistão se tornaram o principal santuário da Al-Qaeda no mundo e o esconderijo de talibãs afegãos. Washington incentiva frequentemente o exército paquistanês, a quem financia com bilhões de dólares há uma década, a atacar os insurgentes islamitas. Mas a República Islâmica do Paquistão, potência nuclear militar com uma opinião pública muito antiamericana, também enfrenta uma onda de atentados realizados por talibãs paquistaneses aliados da Al-Qaeda, que rejeitam sua aliança com os Estados Unidos.

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