O ataque da Otan ocorreu durante esta madrugada em uma zona tribal na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, tradicional reduto de talibãs e da rede Al-Qaeda, que realizam ataques constantes contra tropas da Otan em território afegão. O governador da província de Khyber Pakhtunkha, Massud Kausar, disse que os ataques com helicópteros, além de matarem 26 soldados, deixaram 14 feridos. "Saudamos nossos mártires", disse à imprensa.
O primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, realizou uma reunião de emergência em Islamabad com o presidente Asif Ali Zardari e com os chefes das Forças Armadas. Em Cabul, a força internacional da Otan no Afeganistão (Isaf) confirmou que um "incidente ocorreu" e garantiu que realizará uma "investigação profunda", já que soldados paquistaneses "podem ter sido mortos ou feridos".
De acordo com Islamabad, helicópteros da Otan bombardearam durante a madrugada um posto militar paquistanês em Baizai, no distrito tribal de Khyber, na fronteira com o Afeganistão. A inteligência paquistanesa informou, inicialmente, que os mortos seriam entre 23 e 25 soldados.
Uma caravana de caminhões que estava perto de cruzar a fronteira em Khyber "foi reenviada a Peshawar", principal cidade do Nordeste do país, segundo o responsável pela administração de Khyber, Muthair Hussein. Nos últimos anos, o Paquistão denunciou por diversas vezes a violação do espaço aéreo nacional por parte da Isaf. A última crise ocorreu em setembro, quando Islamabad acusou a força internacional de matar dois soldados paquistaneses.
As zonas tribais do Nordeste do Paquistão são um reduto dos talibãs e o principal santuário da Al-Qaeda. Os Estados Unidos, que coordenam dois terços das tropas da Otan no Afeganistão, bombardeiam regularmente essas regiões com aviões não tripulados. Por outro lado, o governo americano acusa o Paquistão de fazer um jogo duplo e de sustentar clandestinamente rebeldes talibãs para defender seus interesses estratégicos no Afeganistão, de onde a Otan pretende retirar todas as suas tropas antes do fim de 2014.
As relações entre os dois países se deterioraram seriamente depois que um comando americano invadiu o espaço aéreo paquistanês e matou o então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, na cidade de Abbottabad, no Norte do Paquistão, em maio.