Melantonio explicou que as alterações na Constituição, tal qual queria Mubarak, seriam feitas pelo atual Congresso Nacional, eleito em novembro e composto quase totalmente por parlamentares ligado à antiga gestão. Com a queda do presidente, o governo provisório, presidido pelo ministro da Defesa, marechal Tantawi, terá que negociar com a oposição para fazer as alterações constitucionais.
Em entrevista à Agência Brasil, Melantonio disse que há uma “grande expectativa” sobre o futuro do país. Ele afirmou que a oposição está reunida para definir as negociações com o governo de transição e disse que não é possível afirmar se o próximo governo seguirá os princípios de democracia do mundo ocidental. “É impossível fazer qualquer prognóstico." Para ele, o processo de abertura democrática dependerá dos próximos acontecimentos no país.
Religião
Melantonio descartou, no entanto, a hipótese de um governo religioso assumir o poder no Egito. De acordo com ele, o principal grupo oposicionista religioso, a Irmandade Islâmica, informou que não apresentará candidato próprio e, sim, apoiará um nome de consenso da oposição. O embaixador disse que os religiosos têm, no máximo, 30% do total de votos da oposição.
Em casos de governos de transição, como agora no Egito, a orientação, conforme Melantonio Neto, é manter as atividades diplomáticas no país. Ele disse que a Embaixada do Brasil no Egito priorizou o atendimento consular – a assistência a brasileiros que vivem no país, a turistas em viagem e a jornalistas – e o acompanhamento da evolução dos acontecimentos.
O embaixador contou que se mantém em contato com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, a espera de orientações. Ainda hoje, o Ministério das Relações Exteriores divulgará nota em manifestação às renúncias do ex-presidente egípcio, Hosni Mubvarak, e do vice-presidente, Omar Suleiman.