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Paralisação do governo americano se aproxima do fim após votação no Senado

Acordo prevê um orçamento para o governo federal até janeiro e a readmissão de todos os funcionários demitidos durante o fechamento

Desde 1º de outubro, mais de 1 milhão de servidores federais, incluindo controladores do tráfego aéreo, ficaram sem trabalhar ou sem receber salário
Desde 1º de outubro, mais de 1 milhão de servidores federais, incluindo controladores do tráfego aéreo, ficaram sem trabalhar ou sem receber salário Foto : KAMIL KRZACZYNSKI / AFP

O Senado dos Estados Unidos deu um passo decisivo nesta segunda-feira (10) para encerrar a paralisação (shutdown) dos serviços públicos federais mais prolongada da história. Senadores democratas uniram-se aos republicanos em uma votação de 60 a 40 para aprovar um acordo de compromisso que garante o financiamento do governo.

Com a aprovação no Senado, o projeto de lei segue agora para a Câmara de Representantes, que poderá se reunir na quarta-feira (12) para sua aprovação final, antes de ser enviado ao presidente Donald Trump para a promulgação. Esta terça-feira (11) é feriado nos EUA (Dia dos Veteranos), atrasando o processo. Desde 1º de outubro, mais de 1 milhão de servidores federais, incluindo controladores do tráfego aéreo, ficaram sem trabalhar ou sem receber salário, aumentando a pressão após o cancelamento de milhares de voos.

Trump elogia acordo e promete cumprir

O presidente Donald Trump elogiou o acordo antes da votação, sinalizando seu apoio e prometendo o fim da crise.

"Vamos reabrir nosso país muito rapidamente", disse Trump a jornalistas no Salão Oval. Ele se comprometeu a "cumprir o acordo" e disse que "é muito bom", referindo-se aos termos que incluem a reincorporação dos trabalhadores federais demitidos.

Após a votação, o líder republicano do Senado, John Thune, celebrou: "Contentes por apoiar o caminho claro para acabar com esta paralisação desnecessária de maneira responsável, que paga rapidamente aos trabalhadores federais e reabre o governo federal".

O senador democrata John Fetterman, que votou a favor da medida, resumiu a prioridade: "Alimentar a todos. Pagar ao nosso Exército, trabalhadores do governo e a Polícia do Capitólio. Acabar com o caos nos aeroportos. O país antes do partido".

Pontos chave do compromisso

O acordo prevê um orçamento para o governo federal até janeiro e a readmissão de todos os funcionários demitidos durante o fechamento. O projeto também garante o financiamento, durante todo o ano fiscal, de programas de assistência social essenciais, como o SNAP (Programa Federal de Assistência Nutricional Suplementar), que beneficia mais de 42 milhões de americanos de baixa renda na compra de alimentos.

A principal controvérsia girou em torno da exigência democrata de prorrogar os subsídios ao seguro-saúde (Obamacare), que expiram no fim do ano. Os republicanos insistiram em adiar a negociação desse ponto para depois da aprovação do orçamento, o que deixou milhões de americanos com o risco de pagar o dobro pelo seguro-saúde a partir do próximo ano.

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Divisão democrata e críticas à liderança

A decisão de aprovar o acordo com os republicanos dividiu o Partido Democrata. A senadora Jeanne Shaheen, uma das oito democratas a votar a favor, defendeu que o acordo permitirá convocar uma votação no Congresso sobre as ajudas à saúde.

Contudo, a decisão gerou forte revolta em parte do partido. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, lamentou que o acordo "não aborda a crise da saúde", e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a medida como "Patético". As críticas se estenderam à liderança partidária. O deputado Seth Moulton, de Massachusetts, declarou: "Esta noite é mais um exemplo de por que precisamos de uma nova liderança."