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Parlamento aprova lei que permite à Rússia ignorar normas de Direitos Humanos

Projeto coloca constituição do país à frente de decisões da Corte Europeia de Direitos Humanos

Parlamento russo, aprovou lei que permite ao governo de Vladimir Putin, deixar de aplicar as decisões da Corte Europeia dos Direitos Humanos
Parlamento russo, aprovou lei que permite ao governo de Vladimir Putin, deixar de aplicar as decisões da Corte Europeia dos Direitos Humanos Foto : Martin Bureau / AFP / CP
A Duma, o parlamento russo, aprovou lei que permite ao governo de Vladimir Putin, deixar de aplicar as decisões da Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) se forem contrárias à Constituição russa. Adotada em primeira leitura por 434 votos sobre 438 deputados da Câmara Baixa do Parlamento, essa lei situa a autoridade do Tribunal Constitucional russo acima da CEDH, o órgão judicial do Conselho da Europa. "É algo problemático", comentou Daniel Holtgen, porta-voz do secretário-geral do Conselho europeu, Thorbjorn Jagland.

Ele destacou, porém, que essa votação não constitui ainda a adoção definitiva da lei. Em julho passado, o Conselho Europeu já havia manifestado suas "interrogações e preocupações", depois que a mais alta instância jurídica russa destacou a primazia de suas decisões sobre as da CEDH.

A lei aprovada nesta terça-feira pelos deputados russos vai no mesmo sentido. Segundo os termos do texto, a Rússia não deverá aplicar as decisões da CEDH. Entre elas, a que determina o pagamento de 1,9 bilhão de euros a ex-acionistas do grupo petroleiro Yukos, do oligarca e opositor ao Kremlin Mikhail Khodorkovski, desmantelado por fraude fiscal em 2004. No final de outubro, a Duma adotou uma lei que permite à Rússia embargar todos os ativos de Estados estrangeiros em seu território, aplicando "o princípio de reciprocidade".