O Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico, corre o risco de sofrer um incêndio "similar ao de Notre-Dame", a catedral de Paris, se os deputados seguirem adiando sua reforma, alertaram vários parlamentares nesta quarta-feira (4).
As instalações elétricas obsoletas, as infiltrações recorrentes e os altos níveis de amianto estão entre os muitos problemas que afetam o Palácio de Westminster. Algumas partes do prédio têm mais de 900 anos. No entanto, a maior parte do complexo, inclusive a torre do Big Ben, foi construída no século XIX.
Por isso, serão necessários bilhões de dólares para reformar o prédio. No entanto, há anos, os parlamentares não conseguem chegar a um acordo sobre este tema.
Segundo a Comissão de Contas Públicas do Parlamento, esses atrasos provocam um aumento descontrolado dos custos e acarretam o risco de uma "falha catastrófica".
"A inação supõe, por exemplo, o risco de que a Câmara dos Comuns fique às escuras durante a abertura oficial do Parlamento", declarou o presidente da comissão, o deputado Geoffrey Clifton-Brown. Ele fez alusão à cerimônia na qual o rei pronuncia o discurso que apresenta o programa legislativo do governo.
"Imaginem o impacto de imagens transmitidas em todo o mundo que mostrem chamas, como aconteceu em Notre-Dame, saindo do telhado do edifício e provocando a destruição do nosso patrimônio ou, pior ainda, causando feridos ou inclusive mortos", acrescentou o deputado. "Não se trata de riscos teóricos, mas de ameaças muito reais", destacou.
Em 2018, os parlamentares votaram a favor de uma transferência temporária para permitir a realização das obras de reforma, mas ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre como executar o projeto.
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Uma das opções consistiria em desalojar completamente o Parlamento durante a maior parte das obras. O custo poderia chegar a 15,6 bilhões de libras (aproximadamente 115,07 bilhões de reais, na cotação atual) e os trabalhos poderiam se estender por até 24 anos.
Outra possibilidade seria fazer um desalojamento parcial, de modo que no máximo 30% do pessoal permanecesse nas instalações durante as obras. Neste caso, o custo é estimado em 39 bilhões de libras (287,6 bilhões de reais) e os trabalhos poderiam se estender por até 61 anos.
Segundo o calendário previsto atualmente, as obras não começariam antes de 2032.