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Parlamento da Venezuela promete "anistia a militares" contra governo Maduro

Assembleia Nacional informou que mandatário "usurpou" o comando executivo do país

Assembleia Nacional informou que mandatário "usurpou" o comando executivo do país
Assembleia Nacional informou que mandatário "usurpou" o comando executivo do país Foto : Federico Parra / AFP / CP
O Parlamento, único poder controlado pela oposição na Venezuela, prometeu nesta terça-feira uma "anistia" aos militares que não reconheçam o governo de Nicolás Maduro, após declarar o presidente "usurpador" do poder. A Assembleia Nacional aprovou um acordo no qual se compromete a "decretar uma lei de anistia" para "funcionários civis e militares que colaborem com a restituição da ordem constitucional".

O novo mandato de Maduro (2019-2025), iniciado na quinta-feira passada, não é reconhecido por Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina, que consideram as eleições ilegítimas. "Nos dirigimos aos militares de média e baixa patente: Percam o medo", disse o presidente do Parlamento, Juan Guaidó, no plenário da Câmara, ao convocar os militares a abandonar o governo chavista.

Guaidó se declarou disposto a liderar um governo de transição que convoque novas eleições, alegando que a Constituição lhe faculta preencher o vácuo de poder que existe na Venezuela. Em meio à sessão no Parlamento, Maduro apareceu em uma mensagem à Nação em rede nacional ao lado do Estado-Maior da Força Armada, que reafirmou sua lealdade. "Estamos dispostos a morrer, como juramos, para defender a Constituição. Você como magistrado supremo e presidente constitucional foi eleito pelo povo", declarou o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino.

Maduro advertiu que "os tribunais colocarão as coisas em seu lugar" diante das manobras para tirá-lo do poder. No texto que formalizou a "usurpação" de Maduro, o Legislativo propôs criar "incentivos" para a subordinação de militares, policiais e civis à Assembleia.

A proposta prevê ainda o estabelecimento de condições que permitam transferir progressivamente as competências do Executivo para o Congresso. O Tribunal Supremo de Justiça considera nulas todas as decisões da Assembleia, após ser declarada em desacato em 2016. Os deputados aprovaram ainda um documento que pede a Estados Unidos, União Europeia e países latino-americanos - como Brasil, Argentina e Colômbia - que congelem ativos e contas da Venezuela.