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Parlamento egípcio aprova estado de emergência após atentados contra igrejas

Medida foi aprovada com unanimidade pelos deputados

Estes foram os atentados mais violentos contra cristãos dos últimos anos
Estes foram os atentados mais violentos contra cristãos dos últimos anos Foto : Stringer / AFP / CP
O Parlamento egípcio aprovou nesta terça-feira o estado de emergência em todo o país decretado pelo presidente Abdel Fatah Al Sisi depois dos violentos atentados de domingo contra duas igrejas cristãs coptas, anunciou a televisão estatal. Segundo a Nile News, os deputados votaram por unanimidade a medida, que foi publicada no diário oficial dessa segunda-feira e se tornou efetiva no mesmo dia.

Com 45 mortos, estes foram os atentados mais violentos nos últimos anos contra os coptas, que representam 10% dos 92 milhões de habitantes do país.

Funeral

Na manhã desta segunda-feira em Alexandria, diante da igreja de São Marcos, onde um homem-bomba provocou a morte de 17 pessoas na véspera, os investigadores faziam fotos das área atingida. O papa copta, Teodoro II, havia acompanhado uma cerimônia no templo durante a manhã, mas no momento da explosão já havia deixado a igreja. Um funeral também foi organizado em mosteiro próximo de Alexandria, em uma igreja lotada para onde foram levados os corpos das vítimas.

O outro ataque aconteceu em Tanta, no Delta do Nilo, 120 km ao norte do Cairo, na igreja Mar Girgis (nome dado no Egito a São Jorge). O atentado deixou 28 mortos e 78 feridos. Os coptas ortodoxos do Egito formam a comunidade cristã mais numerosa do Oriente Médio e também a mais antiga. Eles se consideram vítimas de discriminações por parte das autoridades e da maioria muçulmana.

Os ataques de domingo aconteceram quatro meses depois de um atentado suicida reivindicado pelo EI contra uma igreja do Cairo que matou 29 pessoas. O papa Francisco, que tem uma viagem programada ao Cairo nos dias 28 e 29 de abril confirmou a visita, indicou um alto funcionário do Vaticano à imprensa italiana. Mustafa Kamel Al-Sayyid, professor de Ciências Políticas na Universidade do El Cairo, advertiu para o risco que o estado de emergência pode representar para os ativistas da oposição. "Com Al-Sisi, vemos que as detenções e os julgamentos também afetam pessoas que não têm nenhum vínculo com os atos terroristas", disse.