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Parlamento grego adota orçamento de austeridade para 2012

Medida prevê aumento de impostos, redução de salários e pessoal no setor público

O Parlamento grego adotou na madrugada desta quarta-feira um novo orçamento de austeridade para 2012, que prevê uma forte redução do déficit público, a 5,4% do PIB, e que ilustra o envolvimento do país com as promessas de sanear as finanças públicas.

Para obter um excedente primário de 1,1% em 2012, objetivo muito ambicioso diante da profunda recessão que o país enfrenta, a Grécia deve ser "determinada" e "sistemática" em seus esforços, senão a história não a "perdoará", declarou o novo primeiro-ministro, Lucas Papademos, diante do Parlamento.

O governo de coalizão (socialistas e direita), que teoricamente tem 255 votos sobre o total de 300 do Parlamento grego, aprovou o orçamento por 258 votos contra 41, segundo a contagem oficial. O orçamento de 2012, muito criticado nas ruas, prevê essencialmente aumento de impostos e redução de salários e pessoal no setor público.

Durante a votação, Papademos disse que "nossa posição na Europa não é negociável". "A Grécia seguira sendo parte da Europa unida e do euro", mas esta "participação implica em obrigações". dente do Banco Central Europeu (BCE), Papademos recebeu a missão de evitar a quebra da Grécia, que enfrenta seu quinto ano consecutivo de recessão e uma dívida pública em torno de 160% do PIB.

A Grécia deve amargar um déficit em 2011 de quase 9%, superando em muito a 'meta' de 6,8%, e a queda do PIB em 2012 foi revisada para cima, em 5,5%, contra a previsão inicial de 2,8%.

Plano europeu funciona

O ministro do Desenvolvimento, Michalis Chrisohoidis, destacou na segunda-feira no Parlamento que o plano europeu de redução do déficit "permitiu ao país escapar da quebra, mas não contribuiu para recuperar o crescimento", em um país em recessão e no qual o desemprego superou 18% em agosto.

Incidentes desta terça-feira no Centro de Atenas demonstraram a continuidade da tensão no país. Os manifestantes, a maioria estudantes, protestaram contra a austeridade e a polícia, no terceiro aniversário da morte de um adolescente por disparos de um agente.

O novo governo, apoiado por socialistas, direita e ultradireita, se comprometeu a aplicar o segundo plano de resgate da Grécia, decidido pela zona do euro em uma reunião em Bruxelas ao final de outubro.

O segundo plano de resgate prevê créditos de 130 bilhões de euros até 2014, dos quais 30 bilhões serão destinados para recapitalizar os bancos gregos, e a eliminação de 50% da dívida grega em mãos dos credores privados (bancos, fundos de pensão, seguradoras, etc).

Papademos destacou recentemente a "complexidade e a dificuldade" das negociações sobre a reestruturação da dívida, que se traduzirá em uma redução da dívida grega a 120% do PIB até 2020.


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