As medidas de austeridade passaram com apoio dos dois maiores partidos representados o Parlamento, o socialista Pasok e o conservador Nova Democracia, apesar do considerável número de rebeldes em suas próprias fileiras. As informações são da Dow Jones.
O primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, pediu à população que mantenha a calma em meio aos distúrbios e à depredação que tomaram conta de Atenas enquanto o Parlamento debatia o programa de austeridade fiscal exigido em troca de um novo pacote de resgate financeiro ao país.
Num discurso pouco antes da votação do programa de austeridade, Papademos disse que o "vandalismo e a destruição não têm lugar numa democracia e não serão tolerados". Segundo ele, a Grécia "não se pode dar o luxo de protestar neste momento".
Pelo menos 15 lojas foram incendiadas e dezenas foram saqueadas enquanto mais de 100.000 pessoas protestavam em Atenas contra o pacote de austeridade. Dezenas de pessoas ficaram feridas e a polícia prendeu mais de 20 supostos participantes dos distúrbios, de acordo com os números mais recentes.
De acordo com os líderes da manifestação, o objetivo é expressar sua rejeição à adoção de um novo plano de ajuste, exigido pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para manter a ajuda financeira ao país e assegurar sua permanência na zona do euro.
No interior do Parlamento, custodiado no exterior por cerca de 3.000 policiais, o debate político ocorria com incidentes frequentes entre as filas governamentais e as da oposição de esquerda. A previsão é que o debate seja concluído com uma votação pouco depois da meia-noite local (20h de Brasília), em virtude do processo de urgência denunciado pela oposição de esquerda.
"Não é fácil viver nestas condições. De agora até 2020 seremos escravos dos alemães", disse à AFP Andréas Maragoudakis, engenheiro de 49 anos. Segundo o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, a Grécia espera lançar "antes de 17 de fevereiro" a oferta pública a seus credores privados para a reestruturação de sua dívida, ou do contrário ficará exposta à quebra.
"Antes do domingo à noite, o parlamento deve ter adotado o novo programa de austeridade" ditado pela UE e pelo FMI para que o país possa receber o visto positivo do Eurogrupo na quarta-feira para o desbloqueio do segundo plano de resgate, afirmou o ministro no início do debate parlamentar sobre este plano de medidas.
"Caso isso não aconteça antes de 17 de fevereiro, não poderemos lançar oficialmente a operação de troca de títulos" para que haja o perdão de 100 bilhões da dívida grega. "E não poderemos solucionar o problema do reembolso das obrigações que serão finalizadas entre 14 e 20 de março", em um montante total de 14,5 bilhões de euros, completou.
O descumprimento dos prazos e a consequente quebra do país geraria uma Grécia sem sistema bancário, afirmou Venizelos com a voz tensa antes de ser interrompido pelas vaias da oposição comunista, a qual o ministro acusou de levar o país à "catástrofe". As informações são da Associated Press.