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Parlamento grego aprova pacote de austeridade

Prédios em Atenas foram incendiados em dia de votação de novo plano de ajuste

Bombeiros combateram incêndios em 15 lojas de Atenas
Bombeiros combateram incêndios em 15 lojas de Atenas Foto : Aris Messinis / AFP / CP
O Parlamento da Grécia aprovou nos primeiros minutos da segunda-feira (horário local) o programa de austeridade fiscal exigido pelos credores do país em troca de um novo pacote de resgate financeiro de 130 bilhões de euros. Segundo a agência Dow Jones, a votação ainda não acabou, mas o número de votos favoráveis ultrapassou o mínimo necessário de 151 para aprovação no Parlamento de 300 cadeiras.

As medidas de austeridade passaram com apoio dos dois maiores partidos representados o Parlamento, o socialista Pasok e o conservador Nova Democracia, apesar do considerável número de rebeldes em suas próprias fileiras. As informações são da Dow Jones.

O primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, pediu à população que mantenha a calma em meio aos distúrbios e à depredação que tomaram conta de Atenas enquanto o Parlamento debatia o programa de austeridade fiscal exigido em troca de um novo pacote de resgate financeiro ao país.

Num discurso pouco antes da votação do programa de austeridade, Papademos disse que o "vandalismo e a destruição não têm lugar numa democracia e não serão tolerados". Segundo ele, a Grécia "não se pode dar o luxo de protestar neste momento".

Pelo menos 15 lojas foram incendiadas e dezenas foram saqueadas enquanto mais de 100.000 pessoas protestavam em Atenas contra o pacote de austeridade. Dezenas de pessoas ficaram feridas e a polícia prendeu mais de 20 supostos participantes dos distúrbios, de acordo com os números mais recentes.

De acordo com os líderes da manifestação, o objetivo é expressar sua rejeição à adoção de um novo plano de ajuste, exigido pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para manter a ajuda financeira ao país e assegurar sua permanência na zona do euro.

No interior do Parlamento, custodiado no exterior por cerca de 3.000 policiais, o debate político ocorria com incidentes frequentes entre as filas governamentais e as da oposição de esquerda. A previsão é que o debate seja concluído com uma votação pouco depois da meia-noite local (20h de Brasília), em virtude do processo de urgência denunciado pela oposição de esquerda.

"Não é fácil viver nestas condições. De agora até 2020 seremos escravos dos alemães", disse à AFP Andréas Maragoudakis, engenheiro de 49 anos. Segundo o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, a Grécia espera lançar "antes de 17 de fevereiro" a oferta pública a seus credores privados para a reestruturação de sua dívida, ou do contrário ficará exposta à quebra.

"Antes do domingo à noite, o parlamento deve ter adotado o novo programa de austeridade" ditado pela UE e pelo FMI para que o país possa receber o visto positivo do Eurogrupo na quarta-feira para o desbloqueio do segundo plano de resgate, afirmou o ministro no início do debate parlamentar sobre este plano de medidas.

"Caso isso não aconteça antes de 17 de fevereiro, não poderemos lançar oficialmente a operação de troca de títulos" para que haja o perdão de 100 bilhões da dívida grega. "E não poderemos solucionar o problema do reembolso das obrigações que serão finalizadas entre 14 e 20 de março", em um montante total de 14,5 bilhões de euros, completou.

O descumprimento dos prazos e a consequente quebra do país geraria uma Grécia sem sistema bancário, afirmou Venizelos com a voz tensa antes de ser interrompido pelas vaias da oposição comunista, a qual o ministro acusou de levar o país à "catástrofe". As informações são da Associated Press.

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