"Neste momento temos planos para não fazer isto", disse o pastor evangélico radical ao canal ABC News. Líder da pequena igreja Dove World Outreach Center, em Gainesville, Jones já havia anunciado o cancelamento na quinta-feira, mas após uma tensa disputa retórica com líderes muçulmanos dos Estados Unidos afirmou horas mais tarde que o plano estava apenas suspenso.
No primeiro anúncio de cancelamento, Jones destacou que a mudança era consequência de um acordo para mudar a localização de um centro islâmico que deve ser construído a poucas quadras do "marco zero", o local dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York. Mas as declarações do pastor se transformaram em outra fonte de polêmica depois que os líderes muçulmanos negaram qualquer mudança nos planos para o centro islâmico.
Líderes cristãos de Washington se reuniram com Terry Jones durante a manhã para agradecer a mudança de postura e pedir que não queime o livro sagrado dos muçulmanos, segundo o reverendo Rob Schenck, do Conselho Nacional de Clérigos. "Esta não é apenas uma pequena igreja fazendo isto, para a comunidade islâmica esta é a cara do cristianismo americano. Falamos ao pastor Jones que não queimaria o Alcorão, queimaria pontes com o Islã que levamos anos para construir", disse Schenck.
Nesta sexta-feira tem início para os muçulmanos o Eid al Fitr, evento que celebra o fim do mês de jejum do Ramadã, que pode dar mais respostas à controvérsia. O presidente afegão Hamid Karzai, em sua mensagem pelo Eid, advertiu que Jones "não deveria nem pensar" em queimar o Alcorão em um momento tão delicado, enquanto o presidente de Indonésia, país de maior população muçulmana no planeta, afirmou que a paz mundial estar em jogo.
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, afirmou que o projeto da igreja evangélica de queimar exemplares do Alcorão é um "complô sionista". Para o imã da Grande Mesquita de Meca, Saleh Bin Humaid, queimar o Alcorão seria uma "incitação ao terrorismo". A preocupação chegou a tal ponto que na quinta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, telefonou ao pastor Jones para tentar convencê-lo a mudar de opinião. Ele advertiu que queimar o Alcorão colocaria em risco os soldados americanos no Afeganistão.