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Paz com Pyongyang não implica saída de soldados americanos, diz Seul

Coreia do Sul confirmou ação de caça aviões dos EUA em manobras conjuntas no entorno do país

Representantes das duas Coreias concordaram em trabalhar para conseguir paz duradoura na península
Representantes das duas Coreias concordaram em trabalhar para conseguir paz duradoura na península Foto : STR / KCNA VIA KNS / AFP / CP
O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, rejeitou nesta quarta-feira a ideia da saída de milhares de soldados americanos presentes na Coreia do Sul, em caso de um tratado de paz com a Coreia do Norte. Essas declarações surgem ao mesmo tempo em que o governo de Seul confirmava a mobilização de vários aviões de caça americanos F-22 "Raptor" na Coreia do Sul para manobras aéreas conjuntas.

Tecnicamente, as duas Coreias continuam em guerra, já que o conflito terminou em 1953 em virtude de um armistício, e não graças a um acordo de paz. Na última sexta-feira, Moon e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, concordaram, durante uma cúpula histórica, em trabalhar para conseguir uma paz duradoura na península.

"As Forças dos Estados Unidos na Coreia (USFK) são uma questão que depende da aliança entre a Coreia do Sul e Estados Unidos. Não tem nada a ver com a assinatura de um tratado de paz", declarou Moon, referindo-se ao acordo bilateral que autoriza a presença de 28.500 militares americanos na Coreia do Sul.

Moon fez essa ressalva depois que um conselheiro presidencial ter dito abertamente que a presença de soldados, marines e pilotos americanos seria posta em xeque em caso de tratado de paz com Pyongyang. O conselheiro Moon Cung-in escreveu na revista "Foreign Affairs" que seria "difícil justificar a manutenção (das forças americanas) na Coreia do Sul", após a assinatura da paz com o país vizinho. A Casa Azul, sede da Presidência sul-coreana, depois pediu a seu conselheiro que "não provoque mais confusão", segundo seu porta-voz, Kim Eui-kyeom.

Aviões "invisíveis" americanos

Depois de anos de uma crescente tensão, devido aos programas nuclear e balístico norte-coreanos, a península vive desde o início de 2018 uma distensão notável, materializada na cúpula intercoreana da última sexta-feira. Esta deve ser o prelúdio de um encontro ainda mais esperado, entre Kim e o presidente americano, Donald Trump. Este último afirmou, na terça-feira, que a data e o lugar da cúpula serão anunciados em breve.

Na quarta-feira, a Coreia do Sul confirmou que vários caças invisíveis americanos F-22 "Raptor" foram mobilizados no território para realizar manobras aéreas conjuntas, apesar da recente aproximação com o regime norte-coreano. F-22 "Raptor" já haviam sobrevoado a Coreia do Sul em dezembro, quando Seul e Washington realizaram seus exercícios aéreos, dias depois de a Coreia do Norte ter lançado um míssil balístico intercontinental (ICBM) com a capacidade de alcançar o território continental americano. 

As autoridades norte-coreanas costumam reagir com veemência ao envio de caças americanos, os quais, segundo Pyongyang, poderiam lançar ataques contra a Coreia do Norte. Desta vez, porém, Kim Jong-un se mostrou aparentemente mais conciliador, ao dizer em março ao enviado sul-coreano Chung Eui-yong que entendia a necessidade de Washington e de Seul fazerem exercícios militares conjuntos. As manobras aéreas "Max Thunder" começarão em 11 de maio e vão durar duas semanas. Devem envolver uma centena de aviões de ambos os países.

"Max Thunder é um exercício regular que estava previsto muito antes de surgir o projeto de cúpula entre Estados Unidos e Coreia do Norte", indicou, em um comunicado, o Ministério sul-coreano da Defesa, que pediu à imprensa que evite "especulações" a respeito das intenções dessa operação.

O jornal conservador "Chosun Ilbo" havia afirmado antes que o objetivo dessa mobilização era aumentar a pressão sobre Pyongyang antes do encontro histórico entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. O "Chosun Ilbo" disse também que a chegada dos caças F-22 também poderia estar destinada a reforçar a segurança, caso a cúpula seja em Panmunjom.