Cerca de 100 vítimas devem passar a noite no hospital. Um morador contou a um canal libanês ter visto um furgão passar três vezes no setor, como se procurasse um lugar para estacionar, antes de explodir na rua. Uma outra testemunha falou de um verdadeiro "terremoto". Um fotógrafo da agência de notícias AFP viu carros pegando fogo, corpos carbonizados e a entrada de dois prédios em chamas, o que obrigou os bombeiros a usarem suas escadas para evacuar os moradores bloqueados nos apartamentos.
Guardas do Hezbollah à paisana estavam em massa presentes no local, de onde sobe uma longa fumaça negra. O canal do Hezbollah, Al-Manar, mostrou uma multidão raivosa e em pânico no local. “O terrorismo voltou a atingir o subúrbio sul”, afirmou o apresentador da emissora Al-Manar, para quem o partido xiita “paga o preço por sua posição”.
O Hezbollah, um aliado do regime Assad e que há meses luta contra os rebeldes na Síria, tornou-se uma besta negra para os insurgentes sírios, sunitas em sua maioria. Um pequeno grupo desconhecido e de forte tendência sunita, intitulado “as Companhias de Aicha oum el-Mou'minine” (em referência à esposa favorita de Maomé), divulgou um vídeo, no qual assume a autoria do ataque.
“Hassan Nasrallah, nós lhe enviamos nossa segunda forte mensagem, porque você continua sem entender”, declarou um homem encapuzado, ao ler um texto ao lado de dois companheiros armados. Esse foi o segundo atentado em seis semanas registrado nos setores populares de Bir el-Abed e de Roueiss. Em 9 de julho, um carro-bomba já havia sido detonado, deixando mais de 50 feridos. Uma organização síria também desconhecida, a Brigada 313, assumiu o atentado.
Segundo o grupo, o ataque ocorreu em represália à participação do Hezbollah no conflito na Síria.