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Pelo menos 75 pessoas morreram no Japão devido aos temporais

Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, descreveu como "corrida contra o tempo" o trabalho de resgate no país

Províncias de Kochi, Ehime e Gifu estão em alerta máximo
Províncias de Kochi, Ehime e Gifu estão em alerta máximo Foto : Martin Bureau / AFP / CP
Pelo menos 75 pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas que ocorrem desde a última quinta-feira. Há ainda 60 pessoas desaparecidas. O primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe determinou prioridade nas buscas pelos desaparecidos e a retirada de moradores dos locais atingidos para evitar que a tragédia seja pior.  "As operações de resgate, o salvamento de vidas e as evacuações são uma corrida contra o tempo", declarou Shinzo Abe, durante reunião de crise com os primeiros ministros. O número de vítimas ainda pode aumentar pois a chuva continua em áreas já muito afetadas.

Há ainda cerca de cem moradores das regiões mais afetadas feridos, de acordo com a Agência de gestão de incêndios e catástrofes naturais. Foi mantido o estado de alerta máximo para três províncias do oeste (Kochi, Ehime e Gifu). Duzentas pessoas, inclusive bebês e crianças, ficaram presas em um hospital de Kurahiski, na prefeitura de Okayama, quando a água de um rio vizinho transbordou. "Cortaram a eletricidade e o fornecimento de água e de comida", explicou por telefone à emissora de TV pública NHK uma enfermeira que trabalha no local.

"É uma situação anormal diante de um risco iminente, não se aproximem das zonas de risco, mantenham-se em alerta", insistiu um encarregado da agência meteorológica, Yasushi Kajiwara, em coletiva de imprensa. As chuvas causaram cheias excepcionais, deslizamentos de terra e inundações, deixando presos muitos moradores, apesar das ordens de evacuação das autoridades locais para mais de dois milhões de pessoas, segundo as autoridades.

Foto: Martin Bureau / AFP / CP

Mobilização 

Cerca de 54 mil integrantes dos corpos de bombeiro, da polícia e das Forças de Autodefesa (nome do Exército japonês) foram mobilizados para as áreas afetadas, "fazendo o máximo para salvar vidas", destacou Abe, mas enfrentam grandes dificuldades devido ao problema de acesso em alguns locais rurais. As equipes de emergência, por sua vez, tentavam salvar vizinhos refugiados nos telhados de suas casas. Muitos pediram ajuda pelas redes sociais, escrevendo seu endereço postal.

"As crianças não podem subir no telhado. A temperatura do meu corpo caiu. Ajuda, nos resgatem rápido", pediu pelo Twitter uma mulher de Kurashiki, ao publicar foto de um cômodo parcialmente inundado e descrevendo que a água já estava chegando ao segundo pavimento de sua casa. O governo, que no domingo pôs em andamento um "quartel-general de gestão do desastre", qualificou a situação de "extremadamente grave".

Chuvas recorde

Dezenas de casas foram parcial ou totalmente destruídas pelas águas. "Estava no meu carro e, de repente, a água chegou pela frente e por trás, inundando a estrada. Consegui fugir, mas senti medo", contou ao telejornal Mainichi Yuzu Hori, na região de Hiroshima (sudoeste). "A água levou a minha casa, que foi totalmente destruída", disse Toshihide Takigawa, também de Hiroshima.

As chuvas superaram um metro em 72 horas em várias regiões. A agência de meteorologia considerou que níveis como estes não eram alcançados há décadas e qualificou estas chuvas como "terríveis", advertindo que se estenderão até o domingo. O Japão costuma ser afetado por fortes frentes de chuva, além de tufões, muitas vezes mortais, que alcançam o arquipélago no verão. Após os deslizamentos de terra, muitas casas desabaram, estradas e pontos ficaram destruídos e bairros inteiros foram inundados.