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Pelo menos cinco morrem em atentados contra a polícia no Egito

Ataque ocorreu na véspera do terceiro aniversário da revolta que derrubou Hosni Mubarak do poder

Carro que explodiu deixou uma cratera no centro da cidade
Carro que explodiu deixou uma cratera no centro da cidade Foto : Khaled Kamel / AFP / CP
Ao menos cinco pessoas morreram nesta sexta-feira em três atentados contra a polícia no Cairo, capital do Egito, em plena campanha de repressão aos islamitas e na véspera do terceiro aniversário da revolta que derrubou Hosni Mubarak do poder. Os ataques contra as forças de ordem aumentaram no país desde que o exército destituiu e prendeu em 3 de julho de 2013 o presidente islamita Mohamed Mursi. Desde então, tem reprimido violentamente toda manifestação de seus partidários.

Pouco antes do amanhecer, um homem esperou o momento em que os policiais retiraram uma barreira que bloqueava o acesso ao quartel-general, no centro da capital, para entrar com seu veículo cheio de explosivos contra o portão de entrada, segundo um policial que ficou ferido no incidente.

Os investigadores não sabem dizer se o homem ainda estava ao volante no momento da explosão, que provocou uma profunda cratera em frente ao edifício da polícia, cuja fachada ficou praticamente destruída, assim como a do Museu de Artes islâmicas, onde várias obras de artes foram destruídas, segundo o Ministério das Antiguidades. O atentado deixou quatro mortos e mais de 70 feridos, segundo o Ministério da Saúde.

Três horas depois, uma bomba de menor potência explodiu durante a passagem de um veículo da polícia no centro da capital, matando um policial e ferindo outros quatro. Uma terceira bomba explodiu uma hora depois perto de uma delegacia em uma avenida que leva às pirâmides de Gizé, sem causar mortos.

O governo liderado pelo chefe do exército e homem forte do país, Abdel Fattah al-Sissi, reprime violentamente cada manifestação de partidários de Mursi. Mais de mil foram mortos e milhares presos, a maioria deles membros da Irmandade Muçulmana, influente confraria à qual o presidente deposto pertence. Ao mesmo tempo, dezenas de policiais e soldados foram mortos em ataques, reivindicados por um grupo da Península do Sinai inspirado na Al-Qaeda, em represália pelo massacre dos manifestantes pró-Mursi.

Na quinta-feira, cinco policiais foram mortos em um ataque 100 km ao sul do Cairo. O governo atribuiu os ataques à Irmandade Muçulmana, ainda que esta não tenha ligação com o grupo extremista armado.

Dia de perigo


O Egito se prepara para celebrar no sábado o terceiro aniversário da "revolução 25 de janeiro", lançada em 2011, em meio à Primavera Árabe. Em preparação para este dia, que se anuncia cheio de perigo, forças policiais e militares foram mobilizadas em todo o país, especialmente no centro do Cairo, onde está localizada a emblemática Praça Tahrir.

Os manifestantes pró-Mursi, liderados pela Irmandade Muçulmana, convocaram manifestações para os próximos 18 dias - a duração da revolta popular que colocou fim, em 11 de fevereiro de 2011, a três décadas de poder absoluto de Hosni Mubarak. Mas o ministro do Interior advertiu que a polícia irá responder com "firmeza" a qualquer tentativa de "sabotar as celebrações", e pediu para que os egípcios ocupem as ruas e apoiem o governo.

Nesta sexta-feira, logo após o ataque contra o quartel-general da polícia, em meio a cacos de vidro, ferro e madeira, dezenas de habitantes se reuniram para denunciar a Irmandade muçulmana. Muitos carregavam retratos do general Sissi, que também é vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, que não faz segredo de suas intenções de se candidatar à eleição presidencial, prometida para 2014.

Após a saída de Mubarak, o exército já havia tomado as rédeas do poder por 16 meses antes da eleição de Mursi. Um ano depois, milhões de egípcios exigiram sua saída, acusando-o de monopolizar o poder em favor de sua fraternidade. Respondendo a esta "nova revolução", o exército depôs Mursi.

Desde então, Sissi e o governo têm se tornado muito populares entre os egípcios, que desejam acabar com três anos de "caos". Mas alguns intelectuais e líderes da revolta de 2011 temem um retorno aos métodos de Mubarak, com a repressão implacável dos dissidentes. Na quinta-feira, a Anistia Internacional denunciou os "ataques sem precedentes" aos direitos humanos por parte das autoridades egípcias e "uma traição de todas as aspirações da Revolução de 25 de janeiro" de 2011.

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