Com a voz embargada pelo choro, Roig relatou a angústia daqueles momentos. Quando ouviu os disparos, reuniu as crianças – sua classe tinha uma grande janela perigosamente exposta – e as escondeu num pequeno banheiro.
Através da porta, empurrou uma estante e trancou o recinto por dentro. "Disse a eles: saibam que amo muito vocês. Pensei que seria o último que ouviriam", contou Roig.
Os alunos estavam aterrorizados e a professora decidiu começar um jogo para distraí-los, apesar do temor de saber que tanto ela quanto as crianças, com idades entre 6 e 7 anos, podiam ser as próximas vítimas. "Disse a elas que ficassem caladas. Absolutamente caladas", lembrou. Nesse silêncio assustador, ela e os alunos ouviram os estampidos nos corredores, a pouca distância de seu improvisado esconderijo.
"Disse a eles que havia meninos maus do lado de fora e que tínhamos que esperar pelos meninos bons", contou a professora. Mas alguns começaram a chorar e outros a perguntar pelos pais, dizendo que queriam voltar para casa. Um deles pediu aos demais que não se preocupassem porque sabia caratê e os ajudaria a sair dali sãos e salvos, contou a professora.
Roig tentou acalmá-los, dizendo: "tudo vai sair bem. Mostrem-me seus sorrisos". "Dizia a mim mesma, 'somos os próximos'", lembrou Roig, com pavor. Mas, os disparos cessaram, a polícia bateu na porta e disse que saíssem, pondo fim ao pesadelo.
Atirador forçou a entrada
O porta-voz da polícia de Connecticut, Paul Vance, afirmou, em entrevista coletiva neste sábado, que o atirador forçou a entrada no colégio para cometer os assassinatos. Além disso, investigadores teriam encontrado evidências que apontam para a motivação do suspeito para cometer o massacre.
Vance não quis revelar detalhes da investigação, apenas que a mulher encontrada morta na segunda cena do crime tem parentesco com o atirador. Informações extra-oficiais apontam que seria Nancy Lanza, funcionária da escola e mãe do susposto assassino Adam Lanza, de 20 anos.