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Peru reconhece Edmundo González como “legítimo” presidente eleito da Venezuela

País não ratificou decisão da autoridade eleitoral venezuelana de declarar Nicolás Maduro vencedor

Peru reconhece Edmundo González como “legítimo” presidente eleito da Venezuela
Peru reconhece Edmundo González como “legítimo” presidente eleito da Venezuela Foto : Yuri Cortez / AFP / CP

O governo do Peru reconheceu nesta terça-feira o opositor Edmundo González Urrutia como 'legítimo' presidente eleito da Venezuela após as eleições de domingo, não reconhecendo a decisão da autoridade eleitoral venezuelana de declarar Nicolás Maduro vencedor, afirmou o chanceler Javier Gonzáles-Olaechea.

'O senhor [Edmundo] González é o presidente eleito e legítimo da Venezuela', concluiu o ministro das Relações Exteriores à emissora estatal de televisão TV Perú Noticias.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, de viés governista, concedeu a vitória do pleito de domingo ao presidente Maduro, para um terceiro mandato de seis anos, um resultado que a oposição denuncia como 'fraude' e que foi rejeitado por parte da comunidade internacional.

'É evidente que a vontade de fraude existe [por parte do governo venezuelano]. O senhor [Edmundo] González é o presidente eleito da Venezuela, essa é a posição do governo peruano e a de muitos organismos internacionais', acrescentou Gonzáles-Olaechea à rádio RPP.

O chanceler anunciou que as autoridades peruanas não descartam considerar o regime de Maduro como um 'governo 'de facto'', que não é reconhecido oficialmente, a partir de janeiro de 2025, data em que termina o segundo mandato do governante venezuelano.

'Até que termine o seu mandato, [Maduro] é um presidente. Ao final do mandato, se converteria em um governo 'de facto'', assinalou o ministro.

O Ministério das Relações Exteriores peruano ordenou aos funcionários diplomáticos venezuelanos que deixem o país 'em um prazo de até 72 horas' diante 'das graves e arbitrárias decisões tomadas hoje pelo regime venezuelano'.

Essa decisão foi anunciada depois que o governo de Maduro decretou a retirada de suas missões diplomáticas em Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai, e exigiu a mesma ação desses países por não reconhecerem o triunfo da situação.

Em um comunicado conjunto, esses sete países latino-americanos, junto com Equador e Paraguai, consideraram 'indispensável' a existência de 'garantias de que os resultados eleitorais vão respeitar plenamente a vontade popular'.

Pelo menos 12 pessoas, entre elas dois menores de idade, morreram na Venezuela e centenas ficaram feridos desde que os primeiros protestos eclodiram na segunda-feira para reivindicar a vitória de González Urrutia, segundo a ONG venezuelana Foro Penal.