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Peter Arnett, repórter vencedor do Pulitzer, morre aos 91 anos

Jornalista lutava contra um câncer de próstata

Foto : MIKE CLARKE / AFP

Peter Arnett, jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer que se tornou um dos correspondentes de guerra mais famosos do planeta, morreu na quarta-feira (17) aos 91 anos.

Arnett, que lutava contra um câncer de próstata, deixou um legado inigualável que atravessou décadas, desde as selvas do Sudeste Asiático até os desertos do Oriente Médio.

Nascido na Nova Zelândia em 1934 e naturalizado cidadão americano, Arnett iniciou sua trajetória em jornais locais antes de ganhar o mundo.

A consagração no Vietnã e o Prêmio Pulitzer

A trajetória de Arnett começou em 1962, quando chegou ao Vietnã como correspondente da Associated Press (AP). Durante 13 anos, ele acompanhou de perto o desenrolar de um dos conflitos mais sangrentos do século XX, permanecendo no país até a queda de Saigon em 1975. A cobertura lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de 1966 na categoria de reportagem internacional.

Arnett acompanha as missões militares e foi um dos últimos jornalistas ocidentais a deixar a capital vietnamita quando as tropas norte-vietnamitas tomaram a cidade.

O pioneirismo na CNN e o impacto na Guerra do Golfo

Em 1981, Peter Arnett migrou para a televisão ao ser contratado pela CNN, onde rapidamente se tornou o rosto da emissora em coberturas internacionais. Durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, suas transmissões ao vivo de Bagdá, muitas vezes realizadas via telefone sob o som de bombas, levaram a guerra para dentro das salas de estar em tempo real.

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira na CNN foi a entrevista exclusiva com o então presidente iraquiano Saddam Hussein. A habilidade de Arnett em operar em zonas de exclusão e manter o fluxo de informações em meio ao caos o tornou um nome familiar em todo o planeta. Suas memórias, publicadas em 1995 sob o título "Live From the Battlefield", detalham essas três décadas de experiências em zonas de guerra.

Controvérsias editoriais e os anos finais

A carreira de Arnett também foi marcada por episódios controversos. Em 1999, ele deixou a CNN após a emissora retirar do ar uma reportagem sobre o suposto uso de gás sarin contra desertores americanos no Laos. Mais tarde, em 2003, sua saída da NBC ocorreu após uma entrevista polêmica à TV estatal iraquiana, na qual ele criticou a estratégia militar dos Estados Unidos na segunda Guerra do Golfo.

Apesar das turbulências, Arnett nunca abandonou sua paixão pela notícia, colaborando posteriormente com veículos como a National Geographic. Morando na Califórnia desde 2014, o jornalista deixa sua esposa, Nina Nguyen, e seus dois filhos, Elsa e Andrew. Sua trajetória permanece como um estudo de caso essencial para jornalistas sobre a ética, o risco e a importância fundamental da presença do repórter onde a história está acontecendo.

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