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Petição solicita que Javier Milei seja declarado persona non grata em Paris

Solicitação conta com mais de 250 assinaturas

Petição solicita que Javier Milei seja declarado persona non grata em Paris
Petição solicita que Javier Milei seja declarado persona non grata em Paris Foto : LUIS ROBAYO / AFP

Cerca de cinquenta políticos, intelectuais e artistas solicitaram, nesta terça-feira (1º), à Prefeitura de Paris que declarasse o presidente argentino, Javier Milei, como "persona non grata", às vésperas de uma viagem do mandatário sul-americano à capital francesa no final de setembro e início de outubro.

"Pedimos ao Conselho de Paris que declare o presidente argentino persona non grata em nossa cidade. Após quase três anos de mandato, a política de austeridade radical de Javier Milei pesa gravemente sobre a sociedade argentina", diz a petição publicada no site change.org.

Essa "iniciativa cidadã" insta Paris e seu prefeito, o socialista Emmanuel Grégoire, a "recusar qualquer recepção oficial" e "qualquer distinção" ao presidente argentino, e a recordar sua "solidariedade com as lutas democráticas da sociedade argentina".

"Paris não pode ser a cidade onde a negação, o revisionismo e a invisibilização dos crimes da ditadura argentina são tolerados", disse à AFP um dos primeiros cinquenta signatários, o vereador parisiense e deputado de esquerda Rodrigo Arenas.

A solicitação já havia reunido mais de 250 assinaturas até 16h30 desta terça-feira (11h30 no horário de Brasília), e a lista publicada dos primeiros cinquenta signatários inclui também a vereadora socialista de Paris, Geneviève Garrigos, e personalidades e intelectuais ligados à Argentina e à América Latina na França.

A petição denuncia, entre outros pontos, o "desmantelamento dos serviços públicos", as "violações dos direitos das mulheres", a "repressão policial", e que Milei "relativiza" os crimes da ditadura militar argentina.

Os signatários também alertam para a situação na Casa Argentina, uma residência no prestigioso polo universitário Cité Internationale Universitaire de Paris, desde a chegada do advogado Santiago Muzio, nomeado diretor pelo atual governo argentino.

Em julho, Prefeitura de Paris pediu ao chanceler francês, Jean-Noël Barrot, que investigasse a gestão desta instituição, diante da preocupação com as "decisões de expulsão" de residentes, a retirada de uma placa sobre os desaparecidos durante a ditadura e a realização de reuniões "difundindo ideologias de extrema direita", entre outros fatores.

"Estamos em negociações contínuas com as autoridades argentinas e seus representantes em Paris", disse Barrot nesta terça-feira, quando questionado em uma coletiva de imprensa sobre a situação na Casa Argentina e a carta da prefeitura de Paris, sem dar mais detalhes.

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