O candidato de direita, Sebastián Piñera, e o governista Eduardo Frei (esquerda) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais do Chile em 17 de janeiro. Com quase 98% das urnas, Piñera lidera com 44% dos votos, contra 30% de Frei. O candidato independente de esquerda, Marco Enríquez-Ominami, soma 19%, e o comunista Jorge Arrate, 5%.
Piñera dedicou a vitória "à gente humilde, porque são eles os que mais precisam de um governo que se comprometa com as coisas simples, mas profundamente". Frei comemorou a passagem ao segundo turno pedindo o apoio de Enríquez.
"Esta noite quero convidar todos os que não votaram em mim, aqueles que tiveram dúvidas, que se somem a minha candidatura. Por todo o Chile tenho escutado a exigência de renovação e mudança em nossa política, e assumirei esta aspiração cidadã, quero que os cargos sejam ocupados por quem tem méritos e não pelos que têm contatos. Vou governar com todos e todas, vou representar todo o povo, gente com e sem partido", disse Frei.
Apesar do pedido de Frei, Enríquez-Ominami já revelou que não apoiará nenhum dos dois candidatos, e liberou seus eleitores a votarem em quem quiser no segundo turno.
"É impossível abusar da confiança em mim depositada. Não tenho qualquer condição de endossar o voto em outro candidato, não farei isto, em respeito aos mais pobres e aos mais desamparados. A velha política está esperando sinais que não vai receber. O Chile deverá escolher entre dois projetos que são mais do passado do que do futuro (...). Frei e Piñera se parecem muito."
Jorge Pizarro, chefe da campanha de Frei, estimou que por suas orientações de centro e esquerda, os eleitores de Enríquez-Ominami e Arrate apoiarão Frei no segundo turno. Andrés Allamand, senador e um dos porta-vozes de Piñera, assinalou que "enquanto o árbitro não apitar o final da partida", não se pode comemorar, mas estimou que "há uma vantagem extraordinária".
Os eleitores chilenos votaram com tranquilidade e houve bom índice de participação, apesar do calor em Santiago neste domingo. Piñera, Eduardo Frei e Enríquez votaram cedo e sem maiores inconvenientes.
O empresário Piñera, cuja fortuna é avaliada em 1,2 bilhão de dólares, chegou à eleição com 44% nas pesquisas. Frei, candidato da presidente socialista, Michelle Bachelet, tinha 31% das intenções de voto.
"Todos sabem que vai haver um segundo turno. Então, a eleição de hoje é muito importante, mas, sem dúvida, teremos outra votação para eleger o presidente da República, disse Bachelet, que termina seu mandato com uma popularidade recorde, de entre 75% e 80%."
Além do presidente, os chilenos também escolheram neste domingo (13) 120 deputados da Câmara e 20 dos 38 membros do Senado. O Partido Comunista obteve uma significativa votação e voltou ao Congresso chileno, após 36 anos de ausência.
Piñera e Frei disputam segundo turno no Chile
Com quase 98% das urnas, Piñera lidera com 44% dos votos, contra 30% de Frei