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Plano de Paz para Síria permite permanência de Assad

Acordo sobre princípios e diretrizes da transição no país foi alcançado neste sábado em Genebra

Annan disse que organismo de governo transitório exercerá os poderes executivos
Annan disse que organismo de governo transitório exercerá os poderes executivos Foto : Fabrice Coffrini / AFP
Os participantes de uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o conflito na Síria adotaram um plano de paz que deixa aberta a possibilidade de o presidente Bashar Al Assad permanecer no poder como integrante de um governo de transição. O plano original do enviado especial da ONU, Kofi Annan, propunha o afastamento de Assad e a formação de um governo de unidade nacional. Mas um novo acordo sobre os princípios e as diretrizes de uma transição na Síria foi alcançado neste sábado em Genebra.

"O organismo de governo transitório exercerá os poderes executivos. Ele poderá incluir membros do atual governo e da oposição e de outros grupos, e deve ser formado com base em um consentimento mútuo", indicou Annan ao ler o comunicado final da reunião. Os participantes do Grupo de Ação sobre a Síria também "identificaram as etapas e as medidas a serem tomadas pelas partes para garantir a aplicação completa do plano de seis pontos e das resoluções 2042 e 2043 do Conselho de Segurança".

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse ao fim da conferência que "Assad tem de ir embora" e exortou o Conselho de Segurança da ONU a adotar uma resolução que autorize uma intervenção militar internacional no conflito sírio. Segundo Annan, "cabe ao povo da Síria chegar a um acordo político. O trabalho duro começa agora. Precisamos trabalhar juntos para implementar o que ficou acertado". A Rússia, principal aliado da Síria, se recusou a apoiar um documento que defendesse a destituição de Assad.

Já os EUA recuaram de sua exigência de que o presidente sírio fosse destituído, na esperança de encorajar a Rússia a pressionar seu aliado a suspender as operações militares que, na estimativa da oposição síria, deixaram 14 mil mortos em pouco menos de um ano e meio de violência. "Não tenho dúvida de que os sírios, que lutaram tão duramente para ter independência, vão escolher para um novo governo pessoas que têm sangue nas mãos", disse o enviado especial da ONU.

Antes do início da conferência, Annan havia advertido os membros permanentes do Conselho de segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) de que o fracasso do encontro poderia levar a uma crise internacional de "grave severidade", com risco de a violência se espalhar para outros países da região e de abrir uma nova frente para organizações terroristas.

"A História é um juiz severo e vai nos julgar a todos com severidade se nos mostrarmos incapazes de tomar o caminho correto hoje", disse Annan na abertura da conferência. Além dos membros do Conselho de Segurança, participaram do encontro representantes da Turquia, de alguns países europeus e da Liga Árabe.

Dois países de grande influência na região, a Arábia Saudita e o Irã, não foram convidados para a conferência - os sauditas ficaram fora por causa de objeções da Rússia e o Irã devido à oposição dos EUA.

O rascunho do texto-base da conferência propunha o estabelecimento na Síria de um governo provisório de unidade nacional, com plenos poderes, que incluiria integrantes do governo Assad e da oposição, além de outros grupos. Esse governo provisório seria responsável por supervisionar a elaboração de uma nova Constituição e a realização de eleições democráticas.

"O que queremos é interromper o derramamento de sangue na Síria. Se isso vier por meio de diálogo político, estamos dispostos a isso", disse Khalid Saleh, porta-voz do Conselho Nacional Sírio, de oposição ao governo Assad. Ele ressalvou: "Não estamos dispostos a negociar com Assad e com aqueles que assassinaram sírios. Não vamos negociar, a não ser que eles deixem a Síria". As informações são da Dow Jones.


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