A campanha para que o Reino Unido permaneça na União Europeia foi suspensa após o atentado. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou o cancelamento de um comício a favor da União Europeia em Gibraltar. "A mim parece melhor que se tenha suspendido a campanha devido ao terrível ataque contra Jo Cox. Não irei ao comício desta noite em Gibraltar", escreveu no Twitter o primeiro-ministro, que já se encontra nesse encrave britânico no sul da Espanha.
A deputada britânica Jo Cox, de 41 anos e mãe de dois filhos, foi atacada em Birstall, no norte da Inglaterra, e levada de helicóptero a um hospital de Leeds. Cox é partidária da permanência do país na União Europeia e, segundo vários meios de comunicação, seu agressor gritou "Reino Unido primeiro!", um lema da ultradireita britânica.
Um homem de cerca de 50 anos também sofreu ferimentos leves. Agentes armados se dirigiram ao local e um homem de 52 anos foi preso na área, acrescentou a polícia.
Advertências contra o Brexit
Até o ataque contra Cox, o dia era agitado pela divulgação dos resultados de uma pesquisa dando aos partidários do Brexit uma vantagem no referendo. O Fundo Monetário Internacional advertiu na quinta-feira que se o Reino Unido aprovar sua saída da União Europeia no referendo que será realizado na semana que vem, os mercados serão afetados, dificultando o crescimento econômico.
"Uma votação a favor da saída da UE poderá precipitar um período de alta incerteza, volatilidade nos mercados e um crescimento mais lento, enquanto que o Reino Unido negocie sua nova relação com a UE", disse Gerry Rice, porta-voz do FMI, em uma coletiva de imprensa. Já a chanceler Angela Merkel declarou que não pode "imaginar que isso (a saída) seja uma vantagem" para os britânicos.
O Banco da Inglaterra (BoE) considerou, por sua vez, que "se o Reino Unido abandonar a UE, a libra esterlina cairá mais, ou até pronunciadamente". O Financial Times, o jornal econômico britânico, declarou, sem surpresa, ser a favor da permanência na UE, uma posição contrária a do tablóide The Sun, que chamou seus leitores a escolher o Brexit. "Abandonar a causa de uma reforma construtiva da Europa, que é verdade que é imperfeita, seria derrotista. Seria um ato gratuito de auto-mutilação", escreveu o Financial Times em seu editorial. O jornal acusou ainda a campanha pelo Brexit de ser "superficialmente patriótica e mentirosa", principalmente por minimizar os custos da ruptura e dramatizar os da permanência.
Pesquisas e mercados
Muito esperada, a pesquisa Ipsos-Mori, realizada por telefone de 11 a 14 de junho com 1.257 pessoas, apontou pela primeira vez uma liderança do "Leave", com 53% contra 47% para o campo favorável à permanência do país no bloco europeu. Há um mês, o mesmo instituto apontava o "remain" (permanecer) como vencedor, com 57% das intenções de voto contra 43%. "Uma reviravolta sensacional", comentou o jornal Evening Standard, que nesta quinta-feira publicou a pesquisa, insistindo, no entanto, que "20% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar de posição".
A pesquisa, que revela que a migração tornou-se a principal preocupação dos britânicos à frente da economia, reforça ainda mais a crescente ansiedade que começa a alcançar os círculos financeiros. A Bolsa de Londres abriu novamente em baixa nesta quinta, com as posições dos principais bancos do Reino Unido vulneráveis e com muitas pessoas migrando para portos seguros, como títulos ou ouro.
A Bolsa de Londres perdeu 300 pontos desde quarta-feira. A libra caiu para 79,94 pence por um euro, o seu nível mais baixo em dois meses. Em contrapartida, o ouro, um refúgio seguro, não para de aumentar e chegou nesta quinta-feira a US$ 1,313.65 a onça, seu mais alto nível desde agosto de 2014. "O sentimento de aversão ao risco domina os mercados", disse Joe Rundle, da corretora ETX Capital.