Pompeo exige que a Rússia deixe de apoiar Maduro
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Pompeo exige que a Rússia deixe de apoiar Maduro

Medida foi rejeitada imediatamente

Por
AFP

Pompeo participou de coletiva de imprensa conjunta com Lavrov depois de uma reunião em Sochi.

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O secretário de Estado americano Mike Pompeo afirmou nesta terça-feira que exigiu de seu colega russo, Sergei Lavrov, que Moscou pare de apoiar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, o que foi rejeitado imediatamente. "Chegou a hora de Nicolás Maduro sair, ele só causou miséria para o povo venezuelano e esperamos que o apoio russo a Maduro acabe", disse Pompeo em coletiva de imprensa conjunta com Lavrov depois de uma reunião em Sochi. 

Pompeo afirmou que o presidente Donald Trump está determinado a melhorar as tensas relações entre as duas potências. As questões de discórdia vão da situação na Venezuela até os tratados de desarmamento, aos quais se somam as tensões dos últimos dias em torno do Irã que aumentam o temor de uma escalada militar na região.

Antes de se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, ainda nesta terça, Pompeo foi recebido logo após sua chegada em Sochi, um resort à beira-mar na costa do Mar Negro, por seu colega russo Sergei Lavrov.  "Estou aqui porque o presidente Trump está determinado a melhorar esse relacionamento", declarou Pompeo. 

"Temos diferenças [...], mas não precisamos ser adversários em todas as questões", acrescentou, na esperança de "estabilizar as relações e retornar a um caminho que não seja bom apenas para os dois países, mas também para o mundo".

"Acho que é hora de começar a construir um modelo novo, mais responsável e construtivo", disse Lavrov, por sua vez, pedindo "propostas concretas para tirar as relações russo-americanas de um triste estado".

Pressão máxima

Pompeo se tornará a maior autoridade dos EUA a se encontrar com Putin desde a cúpula de julho em Helsinque, entre o presidente russo e Trump. A Casa Branca espera que o fim da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre uma suposta interferência russa a favor de Trump nas eleições americana permita superar o atual estado glacial das relações entre os países.

Há quase dois meses, o procurador apresentou o relatório que afirma que em 2016 aconteceu uma interferência russa na eleição presidencial americana, mas não um conivência entre a equipe do então candidato Trump e Moscou. 

A investigação marcou a primeira metade do mandato de Donald Trump. No início do mês, o presidente americano afirmou que teve uma conversa telefônica "muito positiva", de mais de uma hora, com Vladimir Putin. 

Trump, em geral disposto a desafiar Putin, afirmou que este último assegurou que Moscou não está envolvido na Venezuela, ao contrário do que afirmam Pompeo e outros funcionários da administração americana, que pediram a Rússia que deixe de apoiar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

A visita de Pompeo coincide com as acusações dos EUA de que o Irã prepara "ataques" contra seus interesses no Oriente Médio.  Os Estados Unidos posicionaram um porta-aviões, um navio de guerra, bem como bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot na região. 

"Uma política de máxima pressão [...] nunca dá resultados", alertou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta terça-feira. "Isso não encoraja um país a ser conciliador", acrescentou. 

A Rússia, como os países europeus, é a favor de manter o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, do qual os Estados Unidos se retiraram. 

O Irã decidiu, por sua vez, suspender parte dos compromissos desse acordo.  Pompeo se encontrou na segunda-feira com vários líderes europeus, que alertaram sobre o risco de um conflito "por acidente".

O medo de uma escalada no Golfo aumentou com atos de sabotagem, dos quais os detalhes são desconhecidos, contra três petroleiros e um cargueiro neste final de semana na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Armas hipersônicas

Nas últimas semanas, a tensão também aumentou devido à situação na Venezuela, onde ambas as potências acusam umas às outras de interferência.  A Rússia continua sendo uma aliada do presidente Nicolás Maduro, a quem ele entrega armas, enquanto os Estados Unidos apóiam o líder da oposição Juan Guaidó. 

O desarmamento é outro motivo de atrito. Recentemente, os Estados Unidos e a Rússia decidiram abandonar um tratado da época da Guerra Fria que proibia mísseis terra-terra de tamanho entre 500 e 5.500 quilômetros. 

A Rússia e os Estados Unidos estão negociando o próximo tratado de controle de armas nucleares Start, porque o atual termina em 2021 e Trump quer incluir a China. 

O presidente russo, que constantemente elogia as novas capacidades de seu exército, visitará nesta terça, antes de receber Pompeo, o maior centro de testes nucleares da aviação russa, para participar, segundo o Kremlin, em uma demonstração de "armas promissoras".